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Wagner Moura critica gestão do PT na Cultura e relembra apoio ao teatro na era ACM

Durante lançamento de espetáculo, ator baiano lamenta abandono do teatro na Bahia e cobra mais incentivo dos governos de esquerda à cultura profissional.

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24 de setembro de 2025 às 14:27   - Atualizado às 14:45

Wagner Moura (2)

Wagner Moura (2) Foto: Divulgação/Print G1 Bahia

Durante a divulgação do espetáculo "O Julgamento – Depois do Inimigo do Povo", o ator baiano Wagner Moura fez críticas contundentes à condução da política cultural na Bahia. Segundo ele, a atual gestão do setor, comandada pelo secretário Bruno Monteiro, e as administrações estaduais do PT, têm falhado na missão de valorizar o teatro profissional, deixando artistas locais à margem da sobrevivência artística.

O teatro, em qualquer lugar, depende de incentivos públicos. E eu acho que isso não está acontecendo, e lamento que não esteja acontecendo nos últimos governos do PT na Bahia”, disse o ator, que iniciou sua carreira nos palcos baianos e hoje coleciona produções de sucesso no Brasil e no exterior.

A fala, feita com visível desconforto, incluiu um momento inesperado: Wagner Moura relembrou com certa nostalgia os anos 1990, quando o setor teve mais apoio sob a gestão do ex-governador Antônio Carlos Magalhães (ACM), um nome historicamente oposto ao espectro político do artista.

“Esse período de alta aconteceu durante o governo de ACM. E me dá uma angústia muito grande dizer isso, mas é verdade. (...) Governos de esquerda deveriam, por natureza, incentivar muito mais.”

A crítica chama atenção por partir de um artista historicamente associado a causas progressistas, defensor de pautas sociais e de governos de esquerda. No entanto, para Moura, o compromisso com a cultura profissional deve estar acima da disputa ideológica.

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“Eu me formei e existo como artista porque, na minha época de formação, vivi uma ebulição do teatro, em que pude ver essas pessoas trabalhando no seu potencial mais alto.”

O ator, visivelmente emocionado ao lembrar da cena cultural efervescente que o revelou, também demonstrou preocupação com a autoestima dos artistas locais, especialmente os que não conseguem viver da própria arte. “É f ver um ator incrível e perceber que ele não consegue viver disso* e precisa ter um emprego em outra área. Isso me dói.”

Segundo ele, o problema não é apenas baiano, mas nacional. A falta de investimentos na cultura profissional, especialmente no teatro, compromete o desenvolvimento artístico do país. Embora reconheça avanços na valorização de manifestações culturais do interior da Bahia, Moura considera que isso não pode ocorrer em detrimento do teatro profissional.

“A sequência do PT não tem feito o que deveria fazer. Sei que o cobertor é curto (...), mas o teatro profissional, eu sinto que está abandonado e precisa de mais atenção.”

A fala de Wagner Moura escancara um debate que muitos evitam: a responsabilidade dos governos progressistas em garantir políticas públicas de cultura robustas, plurais e inclusivas, que atendam tanto as manifestações populares quanto as artes profissionais urbanas.

No país onde a cultura ainda luta contra o desmonte e o descaso institucional, a cobrança feita por um dos maiores nomes da dramaturgia brasileira não deve ser ignorada.

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