O parlamentar afirmou que Haddad havia dividido o palco com uma mulher que, segundo ele, estaria ligada ao tráfico na Favela do Moinho.
13 de agosto de 2026 às 12:28 - Atualizado às 12:30
Haddad havia dividido o palco com uma mulher que, segundo ele, estaria ligada ao tráfico na Favela do Moinho. Foto: Reprodução
A campanha do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), rebateu a acusação feita por Fernando Haddad (PT), candidato ao governo paulista, sobre uma declaração do governador relacionada a um evento realizado em junho de 2025.
Durante um debate realizado no último domingo, 9 de agosto, Tarcísio afirmou que Haddad havia dividido o palco com uma mulher que, segundo ele, estaria ligada ao tráfico na Favela do Moinho. Na terça-feira (11), Haddad acusou o governador de ter mentido sobre o episódio e afirmou que não conhecia a mulher citada.
Em resposta, a campanha de Tarcísio encaminhou fotos do evento e voltou a sustentar a versão apresentada pelo governador. As imagens mostram Haddad e Alessandra Moja Cunha, irmã de Leonardo Monteiro Moja, conhecido como Leo do Moinho, no mesmo palco em determinado momento da cerimônia.
As imagens, porém, não mostram uma interação entre Haddad e Alessandra. Nos vídeos da transmissão consultados pela reportagem que serviu de base para esta matéria, os dois aparecem simultaneamente em um trecho, mas Haddad conversa com Márcio França (PSB), seu vice na chapa, enquanto Alessandra permanece em pé, sem interação aparente com os demais participantes.
A mulher só se tornou alvo de uma operação policial cerca de três meses depois do evento. Em setembro de 2025, Alessandra foi alvo da Operação Sharpe, realizada pelo Ministério Público de São Paulo e pelas polícias Militar e Civil.
A discussão sobre o episódio começou durante o primeiro debate entre Tarcísio e Haddad na disputa pelo governo de São Paulo. Na ocasião, o governador classificou como uma “cena ruim” a presença de integrantes do poder público no mesmo palco que uma mulher que ele associou ao tráfico na Favela do Moinho.
Haddad questionou a declaração e afirmou que não conhecia Alessandra. O petista também perguntou por que Tarcísio, caso soubesse que ela estaria envolvida com o tráfico, não teria determinado a prisão dela.
Na terça-feira, 11 de agosto, durante uma sabatina, Haddad voltou a abordar o assunto e acusou o governador de mentir. O candidato afirmou que não havia localizado a fotografia mencionada por Tarcísio e disse que o governador poderia ter recebido a informação de outra pessoa.
Alessandra Moja Cunha é irmã de Leonardo Monteiro Moja, apontado como uma liderança do Primeiro Comando da Capital (PCC) conhecida como Leo do Moinho. Ela foi o principal alvo da Operação Sharpe, deflagrada em setembro de 2025.
Segundo informações divulgadas pela Secretaria da Segurança Pública de São Paulo à época, Alessandra se apresentava como líder comunitária, mas, de acordo com as investigações, atuava para cumprir ordens e defender interesses do irmão.
A operação também resultou na prisão de um homem apontado como sucessor de Leo do Moinho nas atividades criminosas e do proprietário de um estabelecimento comercial que, segundo a investigação, era utilizado para armazenar armas e drogas.
Alessandra era presidente de uma organização não governamental que afirmava representar moradores da Favela do Moinho. Conforme informações divulgadas pelas autoridades, porém, drogas foram encontradas no endereço da entidade.
A mulher também já havia sido condenada e presa por participação em um homicídio, segundo as informações apresentadas no material-base.
O episódio voltou ao centro da disputa eleitoral entre Tarcísio e Haddad após o debate e permanece sendo usado pelos dois lados para sustentar versões diferentes sobre o encontro ocorrido em 2025.
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