Pernambuco, 30 de Abril de 2026

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Oposição no Senado pretende barrar outras indicações de Lula ao STF até a eleição

Com 34 votos a favor e 42 contra, o Plenário rejeitou o nome de Jorge Messias para a vaga aberta com a aposentadoria de Luís Roberto Barroso no Supremo.

Redação

30 de abril de 2026 às 07:50   - Atualizado às 07:54

Jorge Messias e Lula.

Jorge Messias e Lula. Foto: Ricardo Ricardo Stuckert/PR

Com a rejeição ao nome de Jorge Messias a uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF), bolsonaristas articulam com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), para barrar eventuais outras indicações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao posto até a eleição de outubro.

Com 34 votos a favor e 42 contra, o Senado rejeitou na noite desta quarta-feira, 29, o advogado-geral da União do governo Lula para a vaga aberta com a aposentadoria de Luís Roberto Barroso no STF. Isso não acontecia havia 132 anos, desde 1894, e representa uma crise de grandes proporções ao Palácio do Planalto.

Senadores afirmaram ao Estadão que pediram a Alcolumbre que segure as indicações pelos próximos seis meses. Eles acreditam que, independentemente da decisão de Lula, o próximo nome precisará ser pactuado com o Senado, sob o risco de ter o mesmo destino de Messias.

Alguns parlamentares veem hoje o ex-presidente do Senado Rodrigo Pacheco (PSB-MG) seria o único nome com consenso dentro do Senado para ser aprovado, por já ter o aval de Alcolumbre. O senador migrou no mês passado do PSD para o PSB para se lançar pré-candidato ao governo de Minas Gerais com apoio de Lula.

"Acho que o Pacheco teria evitado muitas resistências que tiveram agora nessa votação. Vamos avaliar que nomes serão enviados, mas ficou claro que o processo eleitoral vai contaminar qualquer debate nesse sentido. Dificilmente haverá análise de um novo nome antes da eleição, a não ser o nome do Pacheco", diz o senador Efraim Filho (PL-PB).

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O desejo da oposição já vinha sendo exposto ao longo da sabatina de Messias na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) mais cedo Alguns senadores manifestaram o desejo que a indicação fosse votada somente depois de definido quem vai governar o País a partir de 2027.

Os senadores Márcio Bittar (PL-AC) e Marcos Rogério (PL-RO) foram dois deles. Se o correligionário Flávio Bolsonaro vencer a eleição em outubro, a escolha seria dele, por exemplo.

"Esse não seria o momento adequado para fazer essa sabatina e essa votação. Daqui a pouco vêm as eleições gerais, e o brasileiro irá às urnas para definir o rumo político do País. Então o melhor seria não votar a indicação até que o povo decida o rumo que ele quer para o Brasil", declarou Rogério na sabatina

Trata-se da mesma tática usada pelos parlamentares americanos do Partido Republicano contra o então presidente Barack Obama (Partido Democrata), em 2016.

Liderados por Mitch McConnell, os republicanos bloquearam a indicação de Obama naquele ano ao Supremo dos Estados Unidos, Merrick Garland, na vaga aberta por Antonin Scalia. A cadeira acabou preenchida por Donald Trump, eleito em novembro presidente pela primeira vez, com a escolha de Neil Gorsuch.

Os aliados de Trump argumentavam que, como se tratava de ano eleitoral, a escolha deveria ser feita pelo próximo eleito pelo povo. A manobra foi vista por observadores e cientistas políticos como um esgarçamento dos limites da democracia americana, com a recusa em seguir regras não escritas que permitiam a convivência respeitosa entre as instituições.

A derrota de Messias tem as digitais do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), contrariado pelo fato de Lula ter dispensado sua indicação para a vaga. Alcolumbre queria o aliado e ex-presidente da Casa, o senador Rodrigo Pacheco (PSB-MG), para o posto.

O presidente do Senado vinha se recusando a receber Messias para conversar no tradicional beija-mão pelo qual os indicados ao STF passam a fim de arregimentar apoio para a votação. Bolsonaristas dizem que Alcolumbre trabalhou até esta semana para conseguir votos contra Messias.

A derrubada da indicação estava no radar, mas o placar surpreendeu os petistas, que afirmavam confiantes minutos antes contar com até 48 votos. Messias precisava de 41 dos 81 votos.

O resultado desta quarta-feira significou uma derrota descrita como "acachapante" pelos senadores - e uma traição inesperada para Messias. Isso porque seus aliados diziam que ele recebeu apoio expresso de 36 senadores, fora os independentes que ele esperava arrebatar na votação secreta, chegando a cerca de 45 votos.

A oposição bolsonarista comemorou a votação e passou uma série de recados ao governo federal nas declarações à imprensa após o fim da sessão. Eles declaram que a noite desta quarta-feira, 29, impõe o fim do terceiro mandato de Lula.

"O Senado deu recado claro de que não vai aceitar a interferência de outros poderes, independente da pessoa que teve seu nome rejeitado", disse o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República.

Messias acompanhou a votação junto da esposa e de membros do governo e do PT no gabinete da liderança do governo no Senado, e falou com a imprensa em seguida. Ele admitiu que "não é fácil passar pela reprovação".

"Passei cinco meses de desconstrução da minha imagem (...) mas creio que muita coisa boa acontecerá na minha vida", disse o ministro da AGU. Ele não apontou responsáveis pelo resultado da votação, mas disse: "Sabemos quem fez isso".

Estadão Conteúdo

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