Salvador tem mais da metade das escolas municipais e estaduais afetadas por tiroteios Foto: Adenilson Nunes/GOVBA
Um estudo inédito do Instituto Fogo Cruzado mostra que 339 das 600 escolas municipais e estaduais de Salvador tiveram mais de dez dias letivos afetados por tiroteios em 2025. O levantamento foi divulgado na quinta-feira, 13 de agosto, e expõe um dos principais desafios de segurança pública enfrentados na capital baiana.
O número representa mais da metade das unidades analisadas. Em 23 escolas, a situação foi ainda mais grave: os registros de disparos no entorno ultrapassaram 40 dias letivos. Em uma delas, foram identificados tiroteios em 55 dias, o equivalente a 27,5% dos 200 dias previstos para o ano escolar.
A pesquisa considera ocorrências registradas em um raio de até um quilômetro das unidades de ensino. Ao cruzar os dados de violência armada com a localização das escolas, o Fogo Cruzado identificou uma realidade que vai além dos números: para milhares de estudantes, professores e funcionários, o barulho dos tiros pode fazer parte da rotina de chegada, saída ou permanência na escola.
O levantamento analisou 3.748 tiroteios e disparos de arma de fogo registrados em Salvador entre 2023 e 2025, uma média de 3,4 ocorrências por dia. Do total, 59% aconteceram em dias letivos e 40% durante o período diurno, justamente quando as escolas estão em funcionamento e há maior circulação de estudantes.
Outro dado chama atenção: entre os episódios ocorridos em dias de aula, 37,4% foram associados a intervenções policiais, segundo a classificação do estudo. Homicídios ou tentativas de homicídio responderam por 32%, enquanto roubos ou tentativas de roubo representaram 11,1%. Disputas entre grupos armados apareceram em 10,7% dos casos.
Para Maria Isabel Couto, diretora de dados e transparência do Fogo Cruzado, os números mostram que a violência não atinge todos os territórios de Salvador da mesma maneira. A especialista defende protocolos específicos para as escolas mais expostas e afirma que a responsabilidade pela proteção dos alunos não pode recair apenas sobre os diretores.
A situação ganha peso no contexto estadual. Dados de segurança pública citados no levantamento colocam a Bahia entre os estados brasileiros com altos índices de violência letal. Em 2025, as polícias baianas registraram 1.570 mortes decorrentes de intervenções, segundo os números apresentados na reportagem de divulgação do estudo.
Diante dos dados sobre 2025, o governo de Jerônimo Rodrigues (PT) afirma que o cenário começou a apresentar melhora em 2026. Em nota, a gestão baiana informou que investimentos em tecnologia e inteligência contribuíram para uma redução de 20% nas mortes violentas e de 12% nas ocorrências de mortes em confrontos neste ano.
O governo também afirma que protocolos de reforço do policiamento são acionados em áreas consideradas conflagradas, com o objetivo de preservar o funcionamento de escolas, comércio e transporte público.
A Secretaria de Educação da Bahia, por sua vez, declarou que as escolas estaduais são espaços seguros e acolhedores e que os 200 dias letivos são cumpridos. A pasta informou ainda manter ações de prevenção à violência e parceria com a Ronda Escolar, a Polícia Militar e a Secretaria da Segurança Pública.
O impacto também segue uma marca social. Segundo o estudo, as unidades mais afetadas estão concentradas em áreas de menor renda e com maior proporção de população não branca. Em seis escolas classificadas como de situação crítica persistente, a renda média no entorno variava de R$ 594,10 a R$ 702,59, enquanto a população não branca representava entre 87,4% e 91,2%.
O cenário coloca a segurança pública na Bahia diante de uma cobrança que vai além da redução das estatísticas de homicídios: garantir que crianças e adolescentes consigam estudar sem que tiroteios interrompam suas aulas.
As novas diretrizes do Conselho Nacional de Educação também reconhecem esse desafio. Em casos de violência armada que prejudiquem o funcionamento das escolas, cabe ao sistema de ensino orientar a continuidade das atividades, oferecer suporte às unidades e organizar a retomada segura das aulas.
Nota da redação: Este texto foi elaborado com auxílio de inteligência artificial a partir de informações apuradas e revisado pela equipe editorial.
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