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Preso, presidente da Alerj é suspeito de ter alertado TH Joias sobre operação da PF

Segundo a Polícia Federal, agentes públicos teriam repassado dados internos da investigação, permitindo que alvos fossem alertados.

Fernanda Diniz

03 de dezembro de 2025 às 13:24   - Atualizado às 13:45

Rodrigo Bacellar e TH Joias.

Rodrigo Bacellar e TH Joias. Foto: Reprodução/Redes sociais

A Polícia Federal deflagrou na manhã desta quarta-feira, 3 de dezembro, a Operação Unha e Carne para investigar um suposto vazamento de informações sigilosas que teria prejudicado diretamente o andamento da Operação Zargun. 

Segundo a PF, agentes públicos teriam repassado dados internos da investigação, permitindo que alvos fossem alertados e resultando na obstrução do trabalho policial.

O motivo central da operação é justamente descobrir quem vazou essas informações e de que forma isso afetou o curso da Zargun, deflagrada em setembro e que levou à prisão do então deputado estadual TH Joias (MDB).

Para aprofundar a apuração desse vazamento, a PF cumpre hoje um mandado de prisão preventiva, oito mandados de busca e apreensão e um mandado de intimação para aplicação de medidas cautelares, todos expedidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

Entre os investigados está o deputado estadual Rodrigo Bacellar (União Brasil), presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, suspeito de ter repassado informações sigilosas que comprometeram a operação anterior.

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A investigação atende à determinação do STF no âmbito da ADPF 635/RJ (ADPF das Favelas), que ordenou que a Polícia Federal conduzisse apurações sobre grupos criminosos violentos no estado e suas possíveis conexões com agentes públicos.

TH Joias é indiciado

A Polícia Federal (PF) indiciou o ex-deputado estadual Thiego Raimundo de Oliveira Santos, conhecido como TH Joias, e outras 17 pessoas por envolvimento com facções criminosas do Rio.

A conclusão das investigações da Delegacia de Repressão à Entorpecentes (DRE) da PF foi encaminhada ao desembargador Macário Ramos Júdice Neto, da 1ª Seção Especializada do Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF2).

Entre os indiciados estão criminosos do Comando Vermelho (CV) e do Terceiro Comando Puro (TCP), além de policiais militares, um delegado federal e Alessandro Pitombeira Carracena, que ocupou cargos de secretário na prefeitura do Rio e no governo estadual.

Também foi indiciado o delegado da PF, Gustavo Steel, preso em flagrante, na Operação Zargun, por colegas enquanto estava de plantão no Aeroporto Internacional do Rio. As investigações indicam que ele repassava informações confidenciais a criminosos.

Antes da prisão, Steel chegou a consultar sistemas de segurança para verificar a existência de mandados contra Dudu e Índio do Lixão. Dias antes de ser preso, o delegado publicou uma foto ao lado da companheira, que aparece usando um anel feito por TH Joias.

Dudu, Luiz Eduardo Cunha Gonçalves, era assessor parlamentar de TH Joias na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj). Ele é suspeito de atuar como vendedor e operador de aparelhos antidrones para facções criminosas.

Já Gabriel Dias de Oliveira, o Índio do Lixão, favela de Duque de Caxias é apontado como elo do Comando Vermelho e TH Joias. Ele também é investigado por comprar fuzis no Paraguai e vender para o Comando Vermelho.

Prisão

No dia 3 de setembro deste ano, TH Joias e outras 14 pessoas foram presas durante a Operação Zargun, realizada pela PF e Ministério Público do Rio (MPRJ). O ex-deputado estadual parlamentar foi preso num condomínio de luxo, na Barra da Tijuca, zona sudoeste da cidade.

No mesmo dia, o parlamentar foi destituído do cargo na Alerj. TH Joias era joalheiro e, antes de ingressar na política, fabricava peças de ouro cravejada de diamantes para jogadores de futebol e artistas. 

Ele foi indiciado pelos crimes de organização criminosa, tráfico interestadual de armas e drogas, corrupção ativa, lavagem de dinheiro, contrabando, exploração clandestina de telecomunicações, evasão de divisas, violação de sigilo profissional e embaraço à investigação de organização criminosa.

Agência Brasil

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