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Renan Santos cresce entre jovens e começa a incomodar Lula e Flávio

Desempenho do candidato do Missão entre eleitores de 16 a 24 anos chama atenção e revela espaço para avanço na disputa presidencial

Ricardo Lélis

11 de agosto de 2026 às 21:54   - Atualizado às 21:54

Lula, Renan Santos e Flávio Bolsonaro.

Lula, Renan Santos e Flávio Bolsonaro. (Foto: Reprodução/ Inteligência Artificial)

A corrida presidencial de 2026 começa a revelar um movimento que pode ganhar importância nos próximos meses: o crescimento de Renan Santos entre os eleitores mais jovens.

Candidato do Partido Missão, o fundador do Movimento Brasil Livre (MBL) ainda está distante de Lula e Flávio Bolsonaro nos números gerais, mas apresenta um desempenho significativamente mais forte entre pessoas de 16 a 24 anos.

É justamente nessa faixa etária que está um dos principais ativos da candidatura de Renan. Dados do levantamento BTG/Nexus realizado em junho apontaram que 40% dos jovens de 16 a 24 anos admitiam a possibilidade de votar no candidato.

Dentro desse grupo, 14% diziam ter Renan como única opção, enquanto outros 26% consideravam votar nele, embora também avaliassem outros candidatos.

O dado chama atenção por outro motivo: 41% dos jovens entrevistados ainda afirmavam não conhecer Renan. Isso significa que, ao mesmo tempo em que o candidato apresenta uma base potencial relevante, existe uma parcela expressiva do eleitorado que ainda não teve contato suficiente com sua candidatura.

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O número que pode preocupar adversários

A combinação entre potencial de voto e desconhecimento é um dos elementos que ajudam a explicar por que a candidatura de Renan começa a ser observada com mais atenção.

No eleitorado geral, o candidato do Missão ainda aparece em patamar bem mais baixo. Na pesquisa BTG/Nexus divulgada em julho, Renan registrou 4% das intenções de voto no primeiro turno, enquanto Lula apareceu com 40% e Flávio Bolsonaro, com 34%. 

Em uma eventual disputa de segundo turno contra Lula, Renan também permanece atrás: o presidente aparece com 49%, contra 35% do candidato do Missão.

Por isso, afirmar que Renan já ameaça concretamente Lula ou Flávio seria precipitado. Os números gerais ainda mostram uma distância considerável. O que os dados indicam, neste momento, é outra coisa: Renan pode estar construindo um espaço eleitoral capaz de alterar a disputa pela direita e pelo eleitorado mais jovem.

Flávio pode ser o mais diretamente afetado

Entre os dois principais nomes da disputa, Flávio Bolsonaro tende a acompanhar com atenção esse movimento. Isso ocorre porque Renan apresenta um discurso de direita, mas procura se diferenciar do bolsonarismo tradicional.

A estratégia do candidato do Missão passa por uma comunicação fortemente concentrada nas redes sociais, com linguagem direta e forte presença entre públicos mais jovens.

Ao mesmo tempo, Renan procura se apresentar como uma alternativa tanto ao campo governista quanto ao grupo político associado à família Bolsonaro.

Esse posicionamento cria uma situação diferente da tradicional polarização entre Lula e Bolsonaro. Em vez de disputar apenas o eleitorado de centro, Renan tenta ocupar um espaço de direita que não necessariamente se identifica com o bolsonarismo.

O fator desconhecimento pode ser decisivo

O dado de que 41% dos jovens ainda não conhecem Renan Santos é talvez um dos números mais importantes para compreender o potencial da candidatura.

Por um lado, o desconhecimento limita sua capacidade atual de transformar popularidade digital em votos. Por outro, mostra que existe uma parcela do eleitorado que ainda não formou opinião sobre o candidato.

Esse cenário pode mudar à medida que a campanha ganhar exposição, especialmente com debates, entrevistas, propaganda eleitoral e maior circulação de conteúdos fora das redes que já concentram seus apoiadores.

É justamente aí que está o principal teste para Renan: transformar uma força concentrada em determinados ambientes digitais em uma candidatura capaz de alcançar eleitores de diferentes regiões, idades e perfis socioeconômicos.

Uma ameaça ainda em construção

Os números atuais não colocam Renan Santos no mesmo patamar de Lula ou Flávio Bolsonaro. A pesquisa BTG/Nexus de julho mostra uma diferença de 36 pontos entre Renan e Lula e de 30 pontos em relação a Flávio no primeiro turno.

Mas o desempenho entre os jovens introduz uma variável que pode ganhar peso ao longo da campanha.

Se Renan conseguir reduzir o elevado índice de desconhecimento e converter parte daqueles que dizem considerar seu nome em eleitores efetivos, sua participação na disputa poderá crescer. Isso não significa que ele esteja próximo de alcançar Lula ou Flávio, mas indica que sua candidatura não pode ser analisada apenas pelo percentual atual de intenção de voto.

Para Lula, o desafio seria evitar que um novo nome conquiste parte do eleitorado jovem que hoje pode estar disponível para diferentes projetos políticos.

Para Flávio, a questão pode ser ainda mais sensível: uma candidatura de direita com discurso independente pode disputar diretamente uma parcela do eleitorado que, em outra configuração, tenderia a se concentrar no candidato apoiado pelo bolsonarismo.

Assim, mais do que uma ameaça consolidada, Renan Santos começa a representar uma variável relevante na eleição de 2026. Seu maior trunfo, neste momento, não é o percentual que aparece nas pesquisas nacionais, mas o potencial identificado entre os jovens e o grande contingente dessa faixa etária que ainda não decidiu — ou sequer conhece — o candidato.

É esse espaço que pode determinar se Renan permanecerá como uma candidatura de nicho ou se conseguirá transformar sua força entre os mais jovens em um fenômeno eleitoral de alcance nacional.

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