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'Prisão não é hotel e nem colônia de férias', diz Moraes ao transferir Bolsonaro para Papudinha

O ministro registrou que o ex-presidente possui direito a condições diferenciadas em relação a outros presos, mas esses benefícios não anulam o caráter punitivo da pena.

Redação

15 de janeiro de 2026 às 19:44   - Atualizado às 19:46

Alexandre de Moraes e Bolsonaro.

Alexandre de Moraes e Bolsonaro. Fotos: Ton Molina/STF

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes afirmou que a transferência de Jair Bolsonaro da custódia da Polícia Federal para o Complexo Penitenciário da Papuda, conhecido como Papudinha, respeita direitos previstos para um ex-presidente da República, mas não transforma o cumprimento da pena em um ambiente confortável.

Na decisão desta quinta-feira, 15 de janeiro, Moraes reforça que prisão não funciona como hotel nem como “colônia de férias”, ao responder a críticas e pedidos feitos pela defesa, familiares e aliados do ex-presidente.

Ao determinar a mudança de local, o ministro registrou que Bolsonaro possui direito a condições diferenciadas em relação a outros presos, justamente pelo cargo que ocupou no passado. Mesmo assim, Moraes deixou claro que esses benefícios não anulam o caráter punitivo da pena. O magistrado destacou que o sistema prisional brasileiro abriga mais de 384 mil pessoas em regime fechado, que não contam com as mesmas garantias concedidas ao ex-presidente.

Na decisão, Alexandre de Moraes detalha que Bolsonaro recebeu um conjunto de 13 privilégios durante o período em que permaneceu na Polícia Federal. O ministro pontua que essas condições se enquadram como absolutamente excepcionais e privilegiadas dentro da realidade do sistema carcerário nacional. Ainda assim, ele ressalta que tais medidas existem para preservar a integridade física e institucional do ex-presidente, e não para oferecer conforto ou regalias fora do que a lei permite.

O texto da decisão também responde diretamente a manifestações do entorno de Bolsonaro. Moraes relata que aliados compararam a sala de Estado Maior utilizada pelo ex-presidente na PF a um “cativeiro”. O ministro menciona reclamações sobre o tamanho do espaço, críticas ao funcionamento do ar-condicionado e queixas relacionadas ao horário de visitas. Ele ainda cita o pedido para instalação de uma Smart TV, que permitiria ao ex-presidente acessar plataformas como o YouTube.

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"Essas condições absolutamente excepcionais e privilegiadas não transformam o cumprimento definitivo da pena de JAIR MESSIAS BOLSONARO, condenado pela liderança da organização criminosa na execução dos gravíssimos crimes praticados contra o Estado Democrático de Direito e suas Instituições, em uma estadia hoteleira ou em uma colônia de férias, como erroneamente várias das manifestações anteriormente descritas parecem exigir", destacou o ministro em sua decisão.

Alexandre de Moraes afirma que esse tipo de exigência demonstra uma interpretação distorcida do que representa o cumprimento de uma pena. Segundo o ministro, as condições oferecidas a Bolsonaro não se destinam a reproduzir conforto doméstico ou lazer. O magistrado reforça que o objetivo da custódia segue vinculado à execução da pena imposta, e não à satisfação de preferências pessoais.

Na decisão, Moraes também contextualiza a condenação de Jair Bolsonaro. O ministro lembra que o ex-presidente foi condenado pela liderança de uma organização criminosa envolvida na execução de crimes considerados graves contra o Estado Democrático de Direito e suas instituições. Essa observação aparece no texto para reforçar que o tratamento diferenciado não significa relativização da gravidade dos fatos apurados e julgados.

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