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Esquema para desviar emendas por deputados do PL envolvia ameaça com armas, diz PF

De acordo com as investigações, os parlamentares pegavam dinheiro emprestado com um agiota e, posteriormente, destinavam as verbas para o município, para depois pressionar o prefeito a devolver 25% dos valores.

Ricardo Lélis

08 de fevereiro de 2025 às 15:58   - Atualizado às 15:58

Josimar Maranhãozinho, Pastor Gil e Bosco Costa

Josimar Maranhãozinho, Pastor Gil e Bosco Costa Fotos: Cleia Viana e Mário Agra/Câmara dos Deputados

Uma investigação da Polícia Federal (PF) revelou um esquema de venda de emendas parlamentares envolvendo três deputados federais do PL.

Segundo o relatório da PF, o grupo criminoso operava com divisão de tarefas e utilizava armas para ameaçar gestores municipais.

Os parlamentares investigados são Josimar Maranhãozinho (PL-MA), Pastor Gil (PL-MA) e Bosco Costa (PL-SE). O esquema também incluía lobistas e um agiota, identificado como Josival Cavalcanti da Silva, conhecido como "Pacovan".

De acordo com as investigações, os deputados pegavam dinheiro emprestado com Pacovan e, posteriormente, destinavam emendas parlamentares para a cidade de São José de Ribamar (MA).

Assim que os recursos federais chegavam à prefeitura, o grupo pressionava o prefeito a devolver 25% dos valores originalmente destinados à saúde do município. O dinheiro desviado servia para quitar os empréstimos tomados pelos parlamentares.

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“O agiota Pacovan empresta dinheiro para os parlamentares investigados, os quais se comprometem a devolvê-lo por meio do desvio de parte dos valores oriundos das emendas parlamentares que tinham como destino municípios do interior do Maranhão”, diz o relatório da PF.

Ameaças e denúncia ao STF

Segundo os investigadores, Josimar Maranhãozinho liderava o esquema e comandava as ameaças armadas para garantir o repasse dos valores ilegais.

O então prefeito de São José de Ribamar, Eudes Sampaio, denunciou o esquema em 2020. Ele afirmou que se recusou a participar da fraude e relatou ter sofrido extorsão, além de ameaças contra sua família.

Diante da situação, Sampaio apresentou uma notícia-crime à Justiça Federal do Maranhão. Como o caso envolve parlamentares, o processo seguiu para o Supremo Tribunal Federal (STF).

Participação dos deputados no esquema

O relatório da Polícia Federal detalha o papel de cada deputado na organização criminosa:

Josimar Maranhãozinho (PL-MA): comandava o esquema e usava sua influência na captação e destinação de emendas para garantir a devolução de parte dos recursos federais.

Pastor Gil (PL-MA): atuava no núcleo político da organização. Utilizava o esquema para desviar verbas de suas emendas e negociava diretamente com prefeitos sobre a devolução dos recursos.

Bosco Costa (PL-SE): também integrava o núcleo político. Além de desviar recursos, intermediava negociações com lobistas.

Defesa dos parlamentares

Até o momento, apenas a defesa do deputado Pastor Gil se manifestou sobre o caso. Em nota, afirmou que aguarda o julgamento da denúncia pela Procuradoria-Geral da República (PGR) na Primeira Turma do STF e confia que os esclarecimentos apresentados levarão ao reconhecimento da inocência do parlamentar.

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