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Padre é afastado pela Igreja após filiação ao PT e anúncio de pré-candidatura

Suspensão do uso de ordens sacramentais para o padre marca conflito entre compromisso religioso e intenção de disputar eleições

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05 de dezembro de 2025 às 16:22   - Atualizado às 16:31

Padre Antônio Menezes se filiou ao Partido dos Trabalhadores (PT) na sexta feira, 28 de novembro, em Xapuri (AC)

Padre Antônio Menezes se filiou ao Partido dos Trabalhadores (PT) na sexta feira, 28 de novembro, em Xapuri (AC) FOTO: Instagram PT

A filiação do Padre Antônio Menezes ao Partido dos Trabalhadores (PT) e o anúncio de sua pré-candidatura a deputado estadual no Acre resultaram na suspensão de suas funções sacerdotais pela Diocese de Rio Branco. O bispo da diocese, Joaquín Pertíñez Fernández, comunicou a decisão em 29 de novembro de 2025, destacando que o afastamento segue as normas do Código de Direito Canônico.

Motivos do afastamento

Segundo a Diocese, a suspensão do uso de ordens de Padre Antônio Menezes tem caráter por tempo indeterminado. Ele está proibido de celebrar ou administrar sacramentos, incluindo missas, batismos, confissões e matrimônios, bem como de participar de qualquer ato religioso como presbítero. A única exceção permitida é o atendimento a fiéis em situação de perigo de morte.

Além disso, o sacerdote foi impedido de publicar conteúdo em redes sociais ou grupos ligados à Diocese com teor de campanha política. A medida foi motivada pela decisão de Padre Antônio Menezes de se filiar ao PT e colocar seu nome à disposição para as eleições de 2026, considerada incompatível com a atuação clerical.

Filiação ao PT e intenção política

A filiação do Padre Antônio Menezes ao PT ocorreu um dia antes do comunicado da Diocese. Em evento partidário, ele anunciou sua pré-candidatura a deputado estadual, explicando que deseja atuar de forma mais direta em causas sociais e comunitárias, buscando representar a população no legislativo.

O padre ressaltou que sua decisão é consciente e motivada pelo desejo de contribuir com o bem comum, afirmando que procurou separar sua atividade política de suas funções religiosas.

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Base normativa do afastamento

O afastamento do sacerdote está fundamentado no Código de Direito Canônico, que proíbe clérigos de ocupar cargos públicos eletivos ou participar ativamente de partidos políticos sem autorização da autoridade eclesiástica. A medida visa preservar a neutralidade da Igreja e evitar que membros do clero sejam percebidos como participantes de disputas políticas.

Reações e impactos

O caso do Padre Antônio Menezes reacende o debate sobre a atuação de religiosos na política. Para alguns fiéis, a decisão da Igreja reforça a importância de separar atividades espirituais e civis. Para outros, a busca de representação política por um sacerdote demonstra engajamento social e preocupação com questões comunitárias.

Especialistas destacam que casos como este são delicados, pois envolvem a tensão entre normas tradicionais da Igreja e a necessidade de participação cidadã em contextos onde a presença religiosa é forte.

A situação do Padre Antônio Menezes ilustra o dilema enfrentado por religiosos que desejam transitar entre sua vocação espiritual e a atuação política, provocando reflexão sobre os limites da Igreja e a participação social dos clérigos.

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