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ONGs de petistas que combatem fome recebem do governo Lula, mas não entregam marmitas, diz jornal

O contrato de R$ 5,6 milhões, foi firmado entre o MDS e uma entidade liderada por um ex-assessor do PT. Os recursos são repassados para outras ONGs.

Gabriel Alves

06 de fevereiro de 2025 às 11:55   - Atualizado às 12:32

Lula e Wellington Dias, ministro do Desenvolvimento Social.

Lula e Wellington Dias, ministro do Desenvolvimento Social. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

O Ministério do Desenvolvimento Social firmou um contrato de R$ 5,6 milhões com uma Organização Não-Governamental (ONG) liderada por um ex-assessor do PT. A entidade repassa recursos para outras ONGs comandadas por atuais e ex-assessores de parlamentares petistas.

No entanto, visitas feitas pelo O GLOBO a endereços indicados para a produção e distribuição das quentinhas não encontraram evidências dessas atividades.

O contrato, assinado em novembro de 2024, integra o programa Cozinha Solidária, lançado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A proposta busca distribuir refeições para pessoas em situação de vulnerabilidade, como moradores de rua.

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O Ministério, comandado por Wellington Dias (PT), informou que monitorará o andamento do projeto e, caso encontre irregularidades, poderá cortar repasses ou exigir a devolução dos valores.

“O ministério adotará medidas cabíveis caso encontre falhas na execução do projeto, incluindo o corte de recursos, devolução à União e inabilitação das cozinhas”, afirmou a pasta.

Subcontratações e suspeitas

A iniciativa se espalha por 12 estados. Em São Paulo, o Movimento Organizacional Vencer, Educar e Realizar (Mover Helipa) venceu o edital de chamamento público.

A ONG é liderada por José Renato Varjão, ex-assessor do deputado federal Nilto Tatto (PT-SP) e do deputado estadual Ênio Tatto (PT). Varjão subcontratou outras ONGs vinculadas a assessores petistas para produzir e distribuir as refeições.

Uma dessas ONGs é a Cozinha Solidária Madre Teresa de Calcutá, localizada no bairro Jardim Varginha, na Zona Sul de São Paulo. O contrato estipula a entrega de 4.583 quentinhas mensais por um ano.

Contudo, ao visitar o endereço na última quinta-feira, 30 de janeiro, O GLOBO encontrou o local fechado. Vizinhos afirmaram desconhecer qualquer distribuição de marmitas ali.

A ONG pertence a Paula Souza Costa, ex-assessora do ex-vereador Arselino Tatto (PT). Paula afirmou por telefone que entregou 250 quentinhas em janeiro em parceria com outra ONG.

Essa quantidade, entretanto, corresponde a apenas 5% do volume contratado mensalmente. Apesar disso, ela recebeu R$ 11 mil por refeições supostamente produzidas em dezembro de 2024, mesmo sem entregas documentadas.

Questionamentos

O GLOBO apurou ainda que o endereço registrado pela ONG na Receita Federal não corresponde ao informado ao governo. No local indicado na Receita, não há estrutura para a produção de refeições. Além disso, um relatório enviado ao governo inclui fotos de crianças recebendo pratos em outro endereço, pertencente a uma ONG distinta.

Após a visita da reportagem, representantes da ONG alegaram que a distribuição das quentinhas está em processo de "migração" para o endereço informado ao Ministério.

Respostas e investigações

Arselino e Ênio Tatto, ao serem questionados, destacaram que seus ex-assessores desenvolvem "trabalho social sério" e que as ONGs comandadas por eles podem participar de programas públicos sem o envolvimento direto dos parlamentares.

O Ministério do Desenvolvimento Social declarou que continuará acompanhando o projeto e tomará medidas rigorosas caso sejam constatadas irregularidades.

Da redação do Portal com informações do O GLOBO.

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