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Brasil pode entrar em recessão econômica no segundo semestre de 2025, prevê Bradesco; entenda

Em entrevista, o economista-chefe do banco destacou fatores como juros elevados, desaceleração do consumo e queda nos investimentos.

Gabriel Alves

06 de fevereiro de 2025 às 09:31   - Atualizado às 09:38

Presidente Lula.

Presidente Lula. Foto: Valter Campanato/ Agência Brasil

O Brasil corre o risco de entrar em recessão econômica no segundo semestre de 2025, segundo Fernando Honorato, economista-chefe do Bradesco.

Em entrevista à Revista Veja, o especialista destacou fatores como juros elevados, desaceleração do consumo e queda nos investimentos como principais responsáveis por uma possível retração econômica.

“O agro será um espetáculo em 2025 e vai inflar o PIB no primeiro trimestre. Entretanto, já veremos o consumo e o investimento esfriarem no segundo trimestre, e a nossa expectativa é que o PIB seja ligeiramente negativo no terceiro trimestre”, explicou Honorato.

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Juros elevados

Para o economista, a política do Banco Central em relação aos juros segue alinhada às projeções econômicas atuais.

“É exatamente o que nós esperamos. Nossa projeção atual é de que, com o juro a 15,25% ao ano, o Brasil estará em recessão no segundo semestre deste ano”, afirmou.

No início deste semestre, o Banco Central aumentou a taxa básica de juros para 13,25% ao ano. Esse movimento pode contribuir para um cenário de novos aumentos até o final do ano.

Com os juros nesse patamar, o crédito se torna mais caro, o que reduz o consumo e desacelera os investimentos. Consequentemente, é provável que o PIB apresente queda nos últimos trimestres de 2025.

Desafios econômicos

De acordo com análises do Bradesco, três fatores principais devem afetar a economia brasileira em 2025:

  • Inflação persistente: A alta nos preços reduz o poder de compra da população.
  • Juros elevados: O custo mais alto do crédito dificulta o acesso de empresas e consumidores.
  • Incertezas fiscais: A falta de equilíbrio fiscal no governo impacta a confiança do mercado.

Dívida pública

No final de 2023, a dívida bruta do Brasil correspondia a 73,8% do PIB. Já em dezembro de 2024, esse índice subiu para 76,1%, marcando um aumento de 2,2 pontos percentuais (p.p). O saldo total da dívida atingiu R$ 9 trilhões, conforme dados do Banco Central.

Assim, esse indicador, que inclui a dívida do Governo Federal, INSS e governos estaduais e municipais, é acompanhado de perto por investidores. A relação entre a dívida bruta e o PIB é usada para avaliar se a dívida pública do país é sustentável a longo prazo.

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