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'Mulher branca e rica incomoda', vereadora de SP é acusada de racismo e deve responder investigação

A parlamentar Luana Alves (PSOL) solicitou que Cris Monteiro (Novo) responda pela sua declaração na Câmara Municipal de São Paulo.

Eduarda Queiroz

30 de abril de 2025 às 17:36   - Atualizado às 17:38

Vereadoras Cris Monteiro (Novo) e Luana Alves (PSOL).

Vereadoras Cris Monteiro (Novo) e Luana Alves (PSOL). Fotos: Reprodução

A vereadora Luana Alves (PSOL) acionou nesta quarta-feira, 30 de abril, a Corregedoria da Câmara Municipal de São Paulo contra a também vereadora Cris Monteiro (Novo).

A parlamentar do PSOL pede que a colega seja investigada pela declaração de que "mulher branca, bonita e rica incomoda". Segundo Luana Alves, o episódio configurou um ato de racismo e quebra de decoro parlamentar.

O caso ocorreu na terça-feira (29), quando, na tribuna da Câmara, Cris Monteiro dirigiu-se a sindicalistas que acompanhavam a votação do reajuste dos servidores municipais e provocou forte reação da plateia e de parlamentares.

Em nota enviada ao Estadão, a vereadora do Novo afirmou não ter sido notificada sobre o requerimento, e que não teve a intenção de ofender ninguém (leia abaixo).

Durante o discurso, Cris repreendeu Luana, que tentava confrontá-la, e disse:

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"Por favor, Luana, calada. Pode me devolver o tempo. Eu escutei todos vocês calada. (...) Agora, quando vem uma mulher branca aqui, falar a verdade para vocês, vocês ficam todos nervosos. Porque uma mulher branca, bonita e rica incomoda muito vocês". Em coro, servidores que acompanhavam a sessão das galerias gritaram "racista" após a declaração da vereadora do Novo.

No documento, Luana Alves argumenta que a conduta de Cris Monteiro violou princípios constitucionais como o da igualdade e da dignidade da pessoa humana, além do crime de racismo, que destaca a vereadora, é inafiançável, imprescritível e sujeito à pena de reclusão.

"A fala da vereadora Cris Monteiro revela conteúdo discriminatório com base na cor da pele, classe e gênero, sendo inaceitável em qualquer espaço, especialmente no plenário desta Casa Legislativa. A argumentação reforça que o racismo pode se manifestar por meio de discursos que reforçam privilégios e estigmatizam corpos racializados, e, portanto, exige responsabilização política desta Corregedoria", diz trecho do documento.

A vereadora do PSOL pede que a Corregedoria tome providências cabíveis em relação à conduta da parlamentar. As possíveis penalidades incluem considerar a conduta incompatível com o decoro parlamentar, o que, conforme a Lei Orgânica e o Regimento Interno da Casa, pode levar à perda do mandato.

Na terça (29), o áudio da transmissão oficial da sessão pela Rede Câmara, canal da Casa no YouTube, chegou a ser interrompido por alguns minutos, mas foi restabelecido em seguida. Após o retorno, a vereadora do Novo pediu desculpas.

"Lamento profundamente se alguém em particular se sentiu ofendido com a minha fala, não foi minha intenção. Faço uso da tribuna, como qualquer parlamentar, para defender minhas ideias e falar o que penso", disse Cris Monteiro.

Leia a nota completa

"A vereadora Cris Monteiro se manifesta publicamente sobre a frase proferida no plenário da Câmara Municipal nesta terça-feira. Ela lamenta a repercussão de sua fala e reforça que em nenhum momento teve a intenção de ofender qualquer pessoa.

Ao longo dos últimos cinco anos de mandato, Cris Monteiro sempre pautou sua atuação pelo respeito aos colegas parlamentares e à população de São Paulo. Sua trajetória é marcada pelo diálogo, pela escuta ativa e pelo compromisso com soluções concretas para os desafios da cidade.

Autora de leis importantes como as de Naming Rights e Não se Cale, entre outras iniciativas de impacto, a vereadora segue dedicada ao trabalho legislativo com seriedade, responsabilidade e o objetivo de fazer de São Paulo uma cidade melhor para todos".

Estadão Conteúdo

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