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Ministério da Saúde incinera R$ 108 milhões em vacinas e medicamentos

Apesar da redução em relação a anos anteriores, incineração de insumos da saúde já supera três vezes o total do governo Bolsonaro.

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23 de fevereiro de 2026 às 17:53   - Atualizado às 20:51

Presidente Luiz Inácio Lula da Silva e ex ministra da saúde, Nísia Trindade

Presidente Luiz Inácio Lula da Silva e ex ministra da saúde, Nísia Trindade Foto: Jose Cruz/Agência Brasil

O Ministério da Saúde incinerou R$ 108,4 milhões em vacinas, medicamentos e insumos em 2025, segundo levantamento obtido por meio da Lei de Acesso à Informação (LAI). Do total, R$ 18,5 milhões correspondiam a produtos ainda dentro do prazo de validade, representando 17,1% do montante descartado.

Embora haja uma redução em relação a anos anteriores, o volume de incinerações permanece significativamente acima do período pré-pandemia da Covid-19. Entre os itens descartados estão bombas de infusão de fluidos, kits completos para monitoramento de glicose com validade até 2050, medicamentos oncológicos como blinatumomabe e brentuximabe vedotina, e imunizantes contra a dengue.

Comparativo com governos anteriores

Em apenas três anos da gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, já foram incinerados R$ 2 bilhões em vacinas, medicamentos e insumos, o que corresponde a 3,3 vezes mais do que os R$ 601,5 milhões registrados durante todo o mandato de Jair Bolsonaro. O ápice do descarte ocorreu em 2023, quando o valor chegou a R$ 1,3 bilhão, impulsionado por imunizantes contra Covid e anestésicos.

Segundo o ministério, a taxa de incineração em 2025 foi de 1,48% do estoque total, com meta de redução para 1% em 2026. Entre os motivos para os descartes estão flutuações na demanda, judicialização das aquisições, mudanças nos protocolos de tratamento, alterações epidemiológicas de doenças como dengue, malária, tuberculose e hanseníase, e avarias nos produtos.

Medidas e fiscalização

A Controladoria-Geral da União (CGU) realizou auditoria no ministério e identificou descontrole na aquisição e no fornecimento de insumos. Como resposta, foram implementadas medidas como modernização digital do estoque, remanejamento de medicamentos entre estados e programas de saúde, doações para outros entes federados e países, e aquisição com cronograma de entregas flexível.

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O ministério informou ainda que itens descartados por não conformidade técnica são repostos ou ressarcidos, afastando o rótulo de desperdício. Medicamentos judicializados, após devolução ou decisão judicial, também são incinerados de acordo com normas sanitárias, como a RDC Anvisa nº 430/2020.

Perspectivas

Apesar do alto valor incinerado, o governo defende que as ações resultam em maior transparência, eficiência e segurança sanitária, com monitoramento contínuo e uso de modelos preditivos para reduzir perdas futuras. A meta é atingir a taxa de incineração de 1% em 2026, consolidando o avanço na logística de distribuição do Sistema Único de Saúde (SUS).

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