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Mensagem revela que prefeito de Pesqueira está envolvido em corrupção: "participa da safadeza"

O MPPE denunciou o Cacique Marcos Xukuru por envolvimento em um esquema que teria desviado cerca de R$ 15,7 milhões dos cofres públicos.

Everthon Santos

28 de abril de 2025 às 09:07   - Atualizado às 09:07

Cacique Marcos Xukuru, prefeito de Pesqueira.

Cacique Marcos Xukuru, prefeito de Pesqueira. Foto: Divulgação

O Ministério Público de Pernambuco (MPPE) denunciou o prefeito afastado de Pesqueira, Cacique Marcos Xukuru (Republicanos), por envolvimento em um esquema de corrupção que teria desviado cerca de R$ 15,7 milhões dos cofres públicos.

O Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE) aceitou a denúncia na última sexta-feira, 25 de abril, e agora o prefeito e outras 12 pessoas respondem por crimes como organização criminosa, fraude em licitação e lavagem de dinheiro.

A investigação aponta que a Prefeitura de Pesqueira favorecia empresários em processos licitatórios como forma de retribuir apoio financeiro recebido durante a campanha de 2020. 

A apuração revela ainda que o valor do apoio financeiro dado à campanha de Cacique Marcos em 2020 girava em torno de R$ 2 milhões, valor que seria "recuperado" ao longo da gestão por meio dos contratos fraudulentos.

De acordo com o MPPE, pelo menos 15 licitações apresentaram indícios de irregularidades entre janeiro de 2021 e setembro de 2022.

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Uma troca de mensagens entre os irmãos Janaína e José Janailson Cavalcanti, que também figuram como réus, ajudou a embasar a denúncia.

Em um dos trechos, José Janailson afirma que o prefeito "é conivente com a safadeza" e que "não quer largar o osso". O diálogo mostra a insatisfação dos empresários com servidores públicos que cobravam propinas extras, além da disputa com outros grupos empresariais pelo favorecimento em contratos.

A Polícia Civil de Pernambuco deflagrou a Operação Pactum Amicis para investigar o caso. Durante as investigações, os promotores identificaram que o esquema seria dividido em dois núcleos: o "Público" e o "Privado".

O núcleo "Público", segundo o MPPE, seria composto por funcionários da Prefeitura responsáveis por manipular os processos de licitação e liberar pagamentos irregulares. Já o núcleo "Privado" reunia empresários que pagavam propinas e participavam da lavagem de dinheiro.

O MPPE aponta Cacique Marcos como o líder da organização criminosa. O prefeito teria recebido, de forma ilícita, R$ 77 mil por meio de transações bancárias fracionadas, além de uma caminhonete Hilux para uso pessoal.

A denúncia sustenta que a fragmentação dos pagamentos servia para ocultar a origem dos recursos e dificultar a fiscalização.

Entre os denunciados do núcleo público estão Adailton Suesley Cintra Silva Taumaturgo, ex-secretário de Infraestrutura de Pesqueira; Francisco Alves do Nascimento, engenheiro responsável pela fiscalização de contratos; e Adilson Ferreira, que atuou como presidente das Comissões Permanentes de Licitação entre 2021 e 2022.

Do lado dos empresários, a denúncia inclui Paulo Antônio Paezinho de Araújo, da MGA Construtora Ltda, e José Washington Marques Cavalcanti, apontado como o verdadeiro dono da DLG Construtora Ltda, empresa registrada em nome de familiares para disfarçar as operações. Rozelli Cícera de Souza, Jaelson dos Santos Júnior e José Djailson Lopes da Silva, este último primeiro-tenente da Polícia Militar de Pernambuco, também figuram entre os réus.

A participação do tenente motivou a abertura de um processo disciplinar na Corregedoria da Secretaria de Defesa Social (SDS).

Além do prefeito, dois vereadores da base governista também respondem à acusação. Jucenildo José Simplício Freira, conhecido como Sil Xukuru (PT), e José Maria Alves Pereira Júnior, o Pastinha Xukuru (PP), ex-presidente da Câmara Municipal, são apontados como peças-chave do esquema de corrupção.

Procurada pelo Diário de Pernambuco, a defesa do prefeito informou que ainda não teve acesso formal à denúncia, mas reafirmou a confiança na Justiça e garantiu que Cacique Marcos provará sua inocência. 

O afastamento de Cacique Marcos ocorreu no início deste mês, logo após a deflagração da Operação Pactum Amicis. A decisão judicial também determinou o bloqueio de bens dos investigados para garantir o ressarcimento dos cofres públicos.

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