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Maioria dos eleitores rejeita uso de inteligência artificial em campanhas, aponta Quaest

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) marcou para esta terça-feira, 18, uma reunião para discutir a regulamentação da tecnologia.

Ricardo Lélis

18 de agosto de 2026 às 16:21   - Atualizado às 16:21

Convenção do PL utilizou vídeo de IA do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Convenção do PL utilizou vídeo de IA do ex-presidente Jair Bolsonaro. (Foto: Reprodução/ Redes Sociais)

A utilização de inteligência artificial (IA) na propaganda eleitoral enfrenta forte resistência entre os brasileiros. Um levantamento do Genial/Quaest aponta que 73% dos eleitores desaprovam o uso da tecnologia nas campanhas de candidatos nas eleições de 2026.

Apenas 21% dos entrevistados afirmam ser favoráveis à utilização de IA durante a disputa eleitoral. Para 3%, a presença da tecnologia nas campanhas não faz diferença, enquanto outros 3% não souberam ou preferiram não responder.

A rejeição é maior entre as mulheres. Nesse grupo, 78% são contrárias ao uso da inteligência artificial por candidatos, ante 69% entre os homens.

O levantamento também mostra diferenças de percepção de acordo com o posicionamento político dos entrevistados. O percentual de desaprovação varia de 69% entre eleitores de direita que não se identificam com o bolsonarismo a 79% entre os eleitores de esquerda que não se identificam com o lulismo.

Entre os eleitores independentes, 75% rejeitam a utilização da tecnologia nas campanhas. O índice é de 70% entre os bolsonaristas e chega a 73% entre os lulistas.

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A pesquisa ocorre em meio ao aumento da discussão sobre os limites para o uso de inteligência artificial durante a campanha eleitoral.

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) marcou para esta terça-feira, 18, uma reunião para discutir a regulamentação da tecnologia e o uso de conteúdos manipulados por IA na disputa.

O tema ganhou força após a campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) utilizar, no lançamento de sua candidatura, em julho, um vídeo produzido com inteligência artificial que reproduzia a imagem e a voz do ex-presidente Jair Bolsonaro.

O episódio foi levado à Justiça Eleitoral pelo PT. O partido afirma que o material se enquadra na definição de deepfake e, portanto, estaria sujeito às restrições previstas na legislação eleitoral.

A legenda também questiona a veiculação do conteúdo antes do início oficial da campanha, alegando prática de propaganda eleitoral antecipada.

Os advogados de Flávio Bolsonaro afirmaram ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que "a inteligência artificial apenas ampliou os recursos técnicos disponíveis, não sendo viável nem mesmo factível sua completa eliminação da vida política e nem constitucionalmente legítimo presumir, em todo emprego dessa ferramenta, fraude ou manipulação ilícita do eleito".

A pesquisa Quaest ouviu 2.004 pessoas entre 10 e 13 de agosto. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, e o nível de confiança é de 95%. O levantamento está registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-06773/2026.

Estadão Conteúdo

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