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Lula telefona para Trump e marca reunião para discutir tarifaço dos EUA sobre produtos brasileiros

Conversa durou cerca de 1h20 e também tratou da guerra no Oriente Médio, Amazônia e reforma do Conselho de Segurança da ONU

Romildo Lacerda

21 de agosto de 2026 às 14:02   - Atualizado às 14:02

Encontro entre Donald Trump e Lula nos EUA

Encontro entre Donald Trump e Lula nos EUA Foto: Ricardo Stuckert/PR

O presidente Lula e Trump voltaram a conversar diretamente nesta sexta-feira, 21 de agosto, em meio ao impasse provocado pelas novas tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. Segundo o Palácio do Planalto, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) telefonou para o presidente norte-americano, Donald Trump, e os dois concordaram em dar continuidade às negociações comerciais.

A ligação durou aproximadamente uma hora e 20 minutos e teve como principal assunto as medidas adotadas pelo governo dos Estados Unidos contra produtos brasileiros.

Durante a conversa, Lula voltou a apresentar os argumentos do governo brasileiro e contestou as justificativas utilizadas para embasar as novas tarifas.

De acordo com o comunicado divulgado pelo Palácio do Planalto, o presidente brasileiro afirmou que as alegações relacionadas à política comercial e econômica do Brasil não justificariam a adoção das medidas anunciadas pela Casa Branca.

Presidente brasileiro contesta justificativas dos EUA

Na conversa, Lula mencionou diferentes pontos apresentados pelo governo norte-americano para justificar as medidas comerciais. Entre eles estão questões relacionadas ao desmatamento, acordos preferenciais, propriedade intelectual, combate à corrupção, Pix, etanol e importações de produtos associados ao trabalho forçado.

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Segundo o relato oficial do governo brasileiro, Lula classificou essas alegações como infundadas e defendeu a necessidade de preservar as relações econômicas entre os dois países.

O comunicado do Planalto também informou que Trump reconheceu a importância da manutenção de vínculos comerciais fortes entre Brasil e Estados Unidos. A partir desse entendimento, os dois presidentes concordaram com a retomada das conversas entre as equipes responsáveis pelas negociações.

A intenção é que representantes dos dois governos voltem a se reunir o mais rapidamente possível para tentar avançar nas discussões relacionadas às tarifas e ao comércio bilateral.

Novas reuniões devem ocorrer entre negociadores

Além da conversa entre os presidentes, Lula e Trump acertaram a realização de novos encontros presenciais envolvendo negociadores dos dois países. A medida sinaliza uma tentativa de ampliar o diálogo diplomático e encontrar caminhos para tratar das divergências comerciais.

O telefonema ocorre em um momento de atenção para empresas brasileiras que exportam para o mercado norte-americano. As tarifas podem afetar diferentes setores da economia, tornando as negociações entre os governos relevantes para o comércio bilateral.

A retomada do contato direto também abre espaço para que outros temas da relação entre Brasil e Estados Unidos sejam discutidos pelas equipes diplomáticas e econômicas.

Guerra e Amazônia também entraram na conversa

Embora o tarifaço tenha ocupado parte central da ligação, a conversa entre os presidentes não ficou restrita à área comercial. Segundo o Palácio do Planalto, Lula e Trump também trataram da guerra em andamento no Oriente Médio, da cooperação na Amazônia e da proposta de reforma do Conselho de Segurança das Nações Unidas.

Os temas ampliam a agenda do diálogo entre Brasília e Washington e mostram que as relações entre os dois governos envolvem questões econômicas, ambientais e geopolíticas.

A cooperação na Amazônia aparece como outro ponto de interesse nas relações entre os dois países, enquanto a reforma do Conselho de Segurança da ONU está relacionada às discussões sobre a estrutura de representação e participação das nações no principal órgão decisório das Nações Unidas.

Com o novo contato, os governos brasileiro e norte-americano deverão concentrar esforços nas próximas rodadas de negociação. A expectativa agora é que as equipes técnicas retomem as conversas e discutam os impactos das tarifas, além de possíveis alternativas para preservar o fluxo comercial entre os dois países.

O Planalto não informou, no comunicado, uma data para eventual encontro presencial entre Lula e Trump. Os próximos passos deverão ser definidos pelos negociadores de Brasil e Estados Unidos.

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