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Impeachment de ministros do STF: veja como funciona e qual o papel do Senado no processo

Embora o tema esteja no centro das discussões políticas, o processo não é comum no Brasil e segue um rito definido pela Constituição Federal e pela Lei 1.079/1950.

Isabella Lopes

09 de agosto de 2025 às 13:45   - Atualizado às 13:51

Ministros do STF.

Ministros do STF. Foto: Fellipe Sampaio /SCO/STF

Com protestos contra a prisão domiciliar do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), parlamentares de oposição afirmam que estão articulando para apresentar um pedido de impeachment contra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Embora o tema esteja no centro das discussões políticas, o processo não é comum no Brasil e segue um rito definido pela Constituição Federal e pela Lei 1.079/1950.

O artigo 52 da Constituição estabelece que cabe ao Senado Federal julgar ministros do STF por crimes de responsabilidade. Esses crimes se referem a condutas que afetam o funcionamento dos Poderes, a segurança interna, a Constituição ou a União.

Como funciona o processo

Qualquer cidadão pode apresentar um pedido de impeachment contra um ministro do STF. A denúncia precisa ser formalizada por escrito, conter a descrição dos fatos, provas, como documentos ou testemunhas, e a assinatura do autor. Não há exigência de número mínimo de assinaturas.

O documento é encaminhado à Mesa Diretora do Senado, que decide se aceita ou arquiva o pedido. Caso seja aceito, o presidente do Senado, atualmente Davi Alcolumbre (União-AP), forma uma comissão especial para analisar a denúncia.

Essa comissão tem até dez dias para emitir um parecer sobre a admissibilidade do processo. O parecer vai a plenário e precisa da aprovação da maioria simples, ou seja, de pelo menos 41 senadores.

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Se a denúncia for admitida, o ministro é afastado do cargo imediatamente até o fim do julgamento. A partir daí, inicia-se a fase de ampla defesa, com oitivas, produção de provas, interrogatórios e votações conduzidas pelo próprio Senado, que atua como tribunal político-jurídico. O julgamento final exige o voto favorável de 2/3 dos senadores, 54 dos 81 parlamentares. Se condenado, o ministro perde o cargo e pode ficar inelegível.

Crimes de responsabilidade previstos em lei

A Lei 1.079/1950 define condutas que podem configurar crimes de responsabilidade de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), como:

  • Alterar decisão ou voto já proferido, salvo em casos de recurso.
  • Proferir julgamento em situação de impedimento ou suspeição prevista em lei.
  • Exercer atividade político-partidária.
  • Agir de forma incompatível com a honra, dignidade e decoro do cargo.
  • Negligenciar de forma evidente no cumprimento dos deveres.

Esses crimes têm natureza política, e não penal. Por isso, o julgamento se baseia em fundamentos jurídicos, mas a decisão final é política.

Histórico de casos no Supremo

Não há registros recentes de ministros do STF que tenham sofrido impeachment. Antes da Constituição de 1988, um caso ficou marcado: o de Barata Ribeiro, nomeado ministro em 1893 pelo presidente Floriano Peixoto. O Senado negou sua aprovação por entender que ele não possuía “notável saber jurídico”, requisito para assumir o cargo.

Processo mais político que jurídico

Para especialistas, o impeachment de ministros do STF é, acima de tudo, um processo político, embora siga regras jurídicas. Flavio de Leão Bastos, professor de Direito Constitucional da Universidade Presbiteriana Mackenzie, explica que o rito é semelhante ao aplicado ao presidente da República, com a diferença de que, no caso dos ministros, o Senado é o único responsável por julgar.

O advogado Vitor Marques disse a CNN que, qualquer cidadão pode protocolar o pedido e que, a partir do momento em que o processo é instaurado, o Senado assume a função de tribunal, conduzindo todas as fases até a votação final.

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