Presidente Lula. Foto: Reprodução
O governo brasileiro intensificou as articulações diplomáticas junto à União Europeia para tentar reverter a decisão que prevê restringir importações de carne do Brasil sob a alegação de uso excessivo de antimicrobianos na pecuária.
Segundo fontes do Itamaraty, o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, tratou do tema diretamente com o comissário de Comércio da União Europeia em conversa realizada na última quinta-feira (4).
A expectativa do governo é conseguir ao menos uma flexibilização da medida antes de sua entrada em vigor, prevista para setembro.
Paralelamente às negociações diplomáticas, o Ministério da Agricultura e representantes do setor produtivo trabalham na elaboração de soluções técnicas que atendam às exigências dos europeus. Entre as medidas discutidas estão a ampliação da transparência e a realização de visitas técnicas presenciais aos criadouros brasileiros.
O setor de proteína animal sustenta que a produção nacional atende aos padrões sanitários exigidos pelos mercados internacionais. O presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Ricardo Santin, afirmou que não há problemas sanitários relacionados à carne brasileira.
De acordo com Santin, os controles já adotados pela cadeia produtiva são rigorosos, mas o segmento está disposto a reforçar mecanismos de fiscalização e monitoramento para preservar o acesso ao mercado europeu e evitar impactos nas exportações.
A União Europeia decidiu retirar o Brasil da relação de países considerados em conformidade com as normas do bloco sobre o uso de antimicrobianos na produção animal. Com a medida, as exportações brasileiras de carne para os países europeus ficarão impedidas a partir de 3 de setembro deste ano.
A decisão foi divulgada em documento publicado na sexta-feira, 5 de junho. Segundo a Comissão Europeia, o Brasil não forneceu as informações necessárias para comprovar que os produtos de origem animal exportados ao bloco atendem às exigências estabelecidas para o controle e utilização de antimicrobianos na pecuária.
Essas substâncias são utilizadas para prevenir e tratar doenças em animais e, em determinadas situações, também podem ser empregadas para estimular o crescimento dos rebanhos. A União Europeia vem adotando regras cada vez mais rígidas sobre o tema, com o objetivo de combater a resistência antimicrobiana e reforçar padrões de segurança alimentar.
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