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Glauber Braga (PSOL) anuncia greve de fome após Conselho de Ética aprovar a cassação de seu mandato

O deputado revelou que já passou o dia em jejum e que pretende continuar na sala da Câmara até o fim do processo.

Everthon Santos

09 de abril de 2025 às 20:41   - Atualizado às 20:41

Deputado Glauber Braga.

Deputado Glauber Braga. Foto: Divulgação

Nesta quarta-feira, 9 de abril, o deputado federal Glauber Braga (PSOL-RJ) anunciou o início de uma greve de fome em protesto contra a tramitação da cassação de seu mandato.

A medida foi aprovada pelo Conselho de Ética da Câmara dos Deputados. O colegiado entendeu, por maioria de votos, que o parlamentar quebrou o decoro ao agredir um militante do Movimento Brasil Livre (MBL) dentro da própria Câmara, em abril de 2024. A votação terminou com 13 votos favoráveis à perda do mandato e cinco contrários.

Segundo o parlamentar, ele permanecerá sem se alimentar até que o processo seja finalizado.

O deputado revelou que já passou o dia em jejum e que pretende continuar na sala do Conselho de Ética, onde pretende montar uma espécie de acampamento.

Glauber Braga explicou que tomou a decisão de forma solitária, sem consultar aliados ou sua equipe política. Segundo ele, qualquer tentativa de dividir a estratégia com outros membros de sua base poderia ter resultado em uma tentativa de convencê-lo a desistir do gesto.

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“Hoje já iniciei [a greve], estou o dia inteiro em jejum. Tomei sim a decisão de usar a tática mais radical que o militante político pode fazê-lo. Vou permanecer aqui nessa sala, no Congresso Nacional, até a finalização do processo. Não vou me alimentar até o fechamento desse processo”, declarou o deputado.

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

Aprovação da cassação do mandato no Conselho de Ética

O Conselho de Ética da Câmara dos Deputados aprovou o parecer que recomenda a cassação do mandato do deputado federal Glauber Braga.

O colegiado entendeu, por maioria de votos, que o parlamentar quebrou o decoro ao agredir um militante do MBL dentro da própria Câmara, em abril de 2024. A votação terminou com 13 votos favoráveis à perda do mandato e cinco contrários.

Durante a sessão que selou a recomendação, Glauber Braga voltou a protestar contra o processo. O parlamentar anunciou que entraria em greve de fome até que o plenário da Câmara vote o seu futuro político.

O deputado afirmou que a medida representa uma forma de resistência diante do que ele chama de "perseguição política orquestrada".

A confusão envolvendo Glauber Braga e o militante do MBL ocorreu em um dos corredores da Câmara. Vídeos registraram o momento em que o deputado expulsa o homem com empurrões e chutes. As imagens circularam nas redes sociais e foram usadas pelo Partido Novo, autor da denúncia, como prova de quebra de decoro.

O relator do caso, deputado Paulo Magalhães (PSD-BA), defendeu a cassação ao afirmar que não tinha "dúvidas" sobre a ocorrência das agressões. Segundo ele, o comportamento de Glauber Braga ultrapassou os limites aceitáveis para um parlamentar e comprometeu a imagem da instituição.

Durante o debate no Conselho de Ética, apoiadores de Glauber Braga criticaram o processo. O clima foi de tensão e tumulto, com troca de acusações entre aliados e opositores do deputado. Mesmo com a manifestação dos militantes, o parecer pela cassação foi aprovado com folga.

Glauber Braga rebateu o relatório e questionou a isenção de Paulo Magalhães. O deputado afirmou que o voto já estava decidido antes mesmo do processo ter início no colegiado. O parlamentar também acusou o ex-presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), de interferir diretamente na tramitação do caso.

Glauber e Arthur Lira romperam relações após o deputado do PSOL denunciar, no plenário, supostas irregularidades na distribuição de emendas parlamentares durante a presidência do ex-chefe da Casa.

Agora, o processo será encaminhado ao plenário da Câmara, que tem a palavra final sobre a cassação. Para que Glauber Braga perca o mandato, a decisão precisa do apoio de pelo menos 257 dos 513 deputados em votação aberta.

Ainda não há data marcada para a análise, mas o parlamentar poderá apresentar recurso à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) antes que a proposta vá a plenário.

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