Franklin Martins, ex ministro de Lula. Foto: Divulgação
O jornalista e ex-ministro da Secretaria de Comunicação Social no segundo governo de Luiz Inácio Lula da Silva, Franklin Martins, afirmou no domingo, 8 de março, que autoridades migratórias do Panamá o detiveram na última sexta-feira (6) durante uma conexão aérea e o deportaram de volta ao Brasil. Segundo o próprio relato, ele realizava apenas uma escala no país antes de seguir viagem para a Guatemala, onde participaria de um seminário acadêmico.
Na Guatemala, o jornalista participaria durante três dias de um evento promovido pela iniciativa “Reconstruindo estados de bem-estar social nas Américas”, realizado na Universidade Rafael Landívar.
De acordo com o ex-ministro, dois policiais panamenhos que usavam roupas civis se aproximaram dele logo após o desembarque. Os agentes pediram documentos de identificação e solicitaram esclarecimentos sobre sua viagem. Franklin Martins afirmou que apresentou imediatamente os documentos solicitados.
Após a abordagem inicial, os policiais conduziram o jornalista para uma sala dentro do aeroporto. No local, ele respondeu a perguntas feitas pelas autoridades migratórias. O ex-ministro relatou que os questionamentos incluíram informações sobre sua trajetória política e episódios de sua vida no passado.
Segundo Franklin Martins, os agentes demonstraram interesse especial em um episódio ocorrido em 1968, quando ele foi preso durante um congresso estudantil em Ibiúna. Naquele período, o Brasil vivia sob o regime da Ditadura Militar no Brasil.
O jornalista afirmou que respondeu de forma direta aos questionamentos. Ele explicou que havia sido preso por razões políticas e mencionou sua atuação de oposição ao regime militar brasileiro ao longo de mais de duas décadas.
Após o período de perguntas, as autoridades migratórias informaram que ele não seguiria viagem. Franklin Martins relatou que os agentes o mantiveram no aeroporto até o início da tarde de sexta-feira. Por volta das 14h, as autoridades o colocaram em um voo com destino ao Brasil.
O próprio jornalista divulgou o relato sobre o episódio em um texto publicado no site da Associação Brasileira de Imprensa. No depoimento, ele descreveu os detalhes da abordagem e do retorno forçado ao país de origem.
A Associação Brasileira de Imprensa também decidiu se manifestar oficialmente sobre o caso. A entidade enviou uma carta aberta ao embaixador do Panamá no Brasil, Flavio Gabriel Méndez Altamirano.
No documento, a organização questionou a forma como as autoridades panamenhas conduziram a situação envolvendo o jornalista. A entidade afirmou que houve falta de explicações claras sobre a decisão de impedir a continuidade da viagem. A carta também apontou que Franklin Martins não conseguiu se comunicar com a Embaixada do Brasil durante o episódio.
A ABI destacou ainda que o jornalista foi impedido de seguir viagem para outro país mesmo estando apenas em trânsito no aeroporto panamenho.
No domingo, o ministro das Relações Exteriores do Panamá, Javier Eduardo Martínez-Acha Vásquez, enviou uma carta ao chanceler brasileiro, Mauro Vieira.
Na mensagem, o chefe da diplomacia panamenha pediu desculpas pelo ocorrido e classificou a situação como um “incidente”. O ministro afirmou que o caso ocorreu durante a aplicação de procedimentos administrativos ligados ao sistema de imigração do país.
A carta também registrou um pedido formal de desculpas em nome do governo panamenho pelo transtorno causado durante a passagem do jornalista pelo aeroporto.
Franklin Martins integrou o governo federal durante o segundo mandato de Luiz Inácio Lula da Silva. Ele comandou a Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República naquele período. Antes da atuação no governo, ele construiu carreira no jornalismo brasileiro e participou de coberturas políticas ao longo de várias décadas.
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