Esposa de deputado federal soma R$ 8,2 milhões em contratos com prefeituras Foto: Reprodução
O escritório de advocacia de Fernanda Cristinne Rocha de Paula, casada com o deputado federal Danilo Forte (PP-CE), fechou dezenas de contratos com administrações municipais para intermediar a rediscussão de repasses federais em Brasília.
Ao todo, a profissional já soma 48 contratos com prefeituras para atuar na revisão da Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais (CFEM), os chamados royalties da mineração.
Desse total, apenas três acordos recentes, firmados com os municípios de Quixerê (CE), São Mamede (PB) e Anchieta (ES), somam R$ 8,2 milhões em honorários, tendo sido assinados após o início do relacionamento com o parlamentar.
Muitas dessas contratações foram realizadas por meio de inexigibilidade de licitação, um mecanismo legal que permite aos municípios contratarem serviços jurídicos específicos sem a necessidade de abrir concorrência pública.
A cronologia dos negócios mostra que o contrato de Quixerê foi assinado em setembro de 2024, o de São Mamede em março de 2025 e o de Anchieta em março de 2026. O casamento de Fernanda com Danilo Forte ocorreu em maio de 2025, inserindo os negócios bilionários da banca no radar político da capital federal.
Paralelamente à atuação com os royalties de mineração, Fernanda de Paula ganhou notoriedade em Brasília nos últimos dias ao liderar uma ofensiva jurídica contra o Leilão de Reserva de Capacidade na forma de Potência (LRCAP 2026).
Representando a Abraenergias, a advogada moveu uma ação civil pública para tentar barrar o megaleilão de energia do governo federal, estimado em até R$ 800 bilhões. A Justiça Federal do Distrito Federal, no entanto, rejeitou o pedido e manteve o certame.
Alinhado ao posicionamento da esposa, o deputado Danilo Forte também criticou publicamente o modelo do leilão em suas redes sociais, defendendo regras mais equilibradas.
Em nota, Fernanda de Paula defendeu a lisura de seu trabalho, destacando que a ampla maioria de seus 48 contratos com municípios foi firmada antes do casamento com o deputado. Sobre o leilão, ela reiterou que a ação visava questionar cálculos que podem encarecer a conta de energia do consumidor.
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