Eduardo Bolsonaro no Muro das Lamentações em Israel Reprodução Instagram
A viagem de Eduardo Bolsonaro (PL-SP) a Israel, realizada nesta semana, chamou atenção não apenas pelos encontros diplomáticos, mas pelo gesto simbólico que rapidamente ganhou repercussão nas redes sociais. O deputado, que mantém histórico alinhamento com o governo de Benjamin Netanyahu, buscou reforçar laços políticos num momento de tensão nas relações entre Israel e o governo brasileiro de Luiz Inácio Lula da Silva.
Durante a visita, Eduardo se encontrou com representantes de alto escalão, incluindo o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu e o presidente do Knesset, Amir Ohana. Embora Netanyahu não tenha feito menções públicas ao encontro, Ohana elogiou a postura do parlamentar brasileiro, destacando a afinidade política entre os dois.
Em meio à tradicional prática de deixar pedidos e orações entre as frestas do Muro das Lamentações, local sagrado para o judaísmo, Eduardo Bolsonaro optou por inserir um bilhete com forte conteúdo político. No papel, escreveu “Bolsonaro livre” em português e em inglês, acompanhado das bandeiras do Brasil e de Israel.
A atitude, divulgada pelo próprio parlamentar em suas redes sociais, transformou-se imediatamente em assunto nacional, dividindo opiniões entre apoiadores e críticos. Para aliados, o gesto simboliza apoio ao ex-presidente Jair Bolsonaro, investigado em diferentes frentes no Brasil. Para opositores, o uso do local religioso para fins políticos foi visto como inadequado.
A visita ocorre num momento de desgaste entre o governo Lula e a administração israelense, após trocas de críticas envolvendo a condução da guerra em Gaza e declarações sobre direitos humanos. Eduardo Bolsonaro se posicionou como contraponto interno ao governo federal, apresentando-se como aliado da direita israelense e fazendo o que chamou de “gesto de solidariedade internacional”.
O deputado ainda citou um versículo bíblico, “Quem abençoar Israel será abençoado” reforçando a narrativa de aproximação espiritual e política com o país.
Analistas políticos afirmam que a viagem tem peso doméstico e internacional. Ao mesmo tempo em que aproxima ainda mais o clã Bolsonaro da direita israelense, reforça a estratégia do grupo de internacionalizar a narrativa de perseguição política contra o ex-presidente.
Especialistas destacam que gestos como o bilhete no Muro das Lamentações funcionam como mensagem direta ao eleitorado mais fiel do bolsonarismo, que costuma reagir positivamente a símbolos religiosos e atos públicos de fé.
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