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Deputados federais enviaram mais de R$ 277 milhões para prefeituras comandadas por seus parentes

O mecanismo, apelidado de "novo orçamento secreto", voltou ao centro das atenções por causa da falta de transparência na origem e destino desses recursos.

Everthon Santos

01 de junho de 2025 às 12:40   - Atualizado às 12:40

Presidente da Câmara, deputado Hugo Motta.

Presidente da Câmara, deputado Hugo Motta. Foto: Divulgação

Deputados federais enviaram mais de R$ 277 milhões para prefeituras comandadas por seus parentes por meio de emendas de comissão.

O mecanismo, apelidado de “novo orçamento secreto”, voltou ao centro das atenções por causa da falta de transparência na origem e destino desses recursos.

Um levantamento feito pelo portal Metrópoles, com base em dados públicos liberados por determinação do Supremo Tribunal Federal (STF), revelou a relação entre os parlamentares e os gestores municipais beneficiados.

A análise identificou pelo menos 30 deputados que apadrinharam o envio de verbas para cidades administradas por pais, irmãos, esposas ou outros familiares diretos.

O valor empenhado chegou a R$ 277 milhões. Desse total, R$ 163 milhões já foram pagos de fato pelo governo federal até o momento.

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O deputado Hugo Motta (Republicanos-PB), atual presidente da Câmara dos Deputados, aparece entre os nomes com maior volume de recursos destinados a redutos familiares.

Ele articulou o envio de mais de R$ 22 milhões por meio das comissões de Saúde e Turismo da Câmara. Só para a cidade de Patos, na Paraíba, foram enviados cerca de R$ 5 milhões. O município é administrado por seu pai, Nabor Wanderley (Republicanos).

O uso das emendas de comissão permite que parlamentares influenciem na destinação do dinheiro público sem vinculação direta ao seu nome no orçamento oficial.

Isso dificulta o rastreamento dos reais autores das indicações e a transparência no processo de distribuição de recursos públicos.

Ao contrário das emendas individuais, que exigem o nome do parlamentar autor, as de comissão não exigem essa identificação de maneira pública.

O STF, após pressão da sociedade civil e denúncias da imprensa, obrigou o Congresso Nacional e o governo federal a tornarem os dados mais acessíveis.

Com a abertura das informações do Orçamento de 2024, jornalistas e especialistas conseguiram identificar os repasses suspeitos e as relações familiares que indicam possível favorecimento pessoal com verba pública.

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