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Deputado do PT é obrigado pela Justiça a se retratar por imagem com Bolsonaro e Vorcaro

Na decisão, a juíza Patrícia Vasques Coelho determinou que o parlamentar informe, em nota, que a imagem não corresponde à realidade.

Isabella Lopes

14 de fevereiro de 2026 às 15:18   - Atualizado às 15:18

Deputado Rogério Correia e Bolsonaro.

Deputado Rogério Correia e Bolsonaro. Foto: Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados e Ton Molina/STF.

A Justiça do Distrito Federal determinou que o deputado federal Rogério Correia (PT-MG) publique retratação no prazo de até 24 horas sobre uma imagem divulgada na rede social X. A decisão saiu na sexta-feira, 13 de fevereiro.

A publicação mostrava uma montagem que colocava lado a lado o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), o empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, e o ex-presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto. A defesa de Bolsonaro entrou com a ação judicial e alegou violação da honra e da imagem do ex-presidente.

Na decisão, a juíza Patrícia Vasques Coelho determinou que o parlamentar informe, em nota, que a imagem não corresponde à realidade. A magistrada também estabeleceu que o deputado esclareça que a montagem foi produzida com uso de inteligência artificial e que o encontro retratado nunca aconteceu.

Além disso, a Justiça proibiu o deputado de publicar ou compartilhar novas imagens ou montagens feitas por inteligência artificial envolvendo Bolsonaro, Daniel Vorcaro ou Roberto Campos Neto. A decisão prevê aplicação de multa caso ocorra descumprimento.

Publicação foi apagada

O deputado apagou a postagem após a repercussão do caso. Até o momento da publicação da reportagem, ele ainda não havia divulgado a retratação determinada pela Justiça. Em outra publicação na rede social X, Rogério Correia afirmou que foi processado por Bolsonaro e por “outras figuras da extrema-direita”.

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O parlamentar mencionou críticas relacionadas a investigações e denúncias que envolvem Daniel Vorcaro, Roberto Campos Neto e o Banco Master, mas não citou diretamente a imagem que motivou a decisão judicial. A decisão da Justiça estabelece prazo curto para cumprimento da retratação e reforça a determinação de que o deputado não republique conteúdo semelhante nas redes sociais.

Caso Master e Moraes

A Polícia Federal (PF) encaminhou ao presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, um relatório que detalha a relação entre o ministro Dias Toffoli e o banqueiro Daniel Vorcaro, no contexto das investigações envolvendo o Banco Master.

O documento também abre espaço para a análise de registros que mencionam o ministro Alexandre de Moraes. As informações são do jornal O Globo.

De acordo com a reportagem, o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, comunicou a Fachin que conversas extraídas do celular de Vorcaro, controlador do Banco Master, trazem referências frequentes a Moraes.

Entre os diálogos, há menções a pagamentos que indicariam proximidade entre o ministro e o empresário.

Em dezembro, veio a público que Viviane Barci de Moraes, esposa do magistrado, firmou contrato com o banco prevendo repasses de R$ 129 milhões ao longo de três anos para atuação junto a órgãos dos três Poderes.

Segundo O Globo, até o momento não foram identificadas evidências de serviços compatíveis com o valor estipulado, e nem ela nem Moraes detalharam o acordo.

Ainda conforme a reportagem, o relatório que envolve Moraes não foi oficialmente encaminhado a Fachin. Havia a avaliação de que, caso o material permanecesse sob a relatoria de Toffoli — que anteriormente conduzia o caso e proferiu decisões divergentes da linha defendida pela PF —, poderia haver arquivamento.

Com a saída de Toffoli da relatoria, o processo foi redistribuído por sorteio ao ministro André Mendonça, alterando o cenário no tribunal e ampliando a pressão sobre os investigados.

Impeachment contra Moraes

O Senado Federal recebeu, em janeiro deste ano, o primeiro pedido formal de impeachment contra o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, relacionado ao chamado caso Banco Master.

A solicitação foi protocolada por um cidadão comum e tem como principal fundamento um contrato firmado entre o banco e o escritório de advocacia da esposa do magistrado, Viviane Barci de Moraes, no valor de R$ 129 milhões.

De acordo com o documento apresentado ao Senado, o autor sustenta que a relação comercial configuraria um grave conflito de interesses, além de possível violação aos princípios da moralidade administrativa e do decoro exigidos de membros da Suprema Corte.

O pedido também menciona suposto enriquecimento indireto, ao apontar que o vínculo contratual envolveria familiar direto de um ministro do STF.

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