Deputado Otoni de Paula afirma: 'Mataram filhos de pessoas da minha igreja, nunca portaram um fuzil' Foto: Divulgação / Câmara dos Deputados
O deputado Otoni de Paula (MDB-RJ) foi o único parlamentar de direita a se posicionar contra a megaoperação realizada nos complexos da Penha e do Alemão, no Rio de Janeiro, nesta semana. O parlamentar afirmou, em discurso no plenário, que quatro jovens, filhos de integrantes da Igreja Ministério Missão de Vida, estão entre os mortos. Pastor e fundador da igreja, o deputado disse que eles não tinham envolvimento com o crime organizado.
"'Ah, só morreu bandido?" Não é quem está falando aqui, é um pastor. Só de filhos de pessoas da minha igreja, eu sei que morreram quatro. Meninos que nunca portaram um fuzil. Mas estão sendo contados no pacote como se fossem bandidos. E sabe quem vai saber se são bandidos ou não? Nunca [vão saber], ninguém vai atrás, porque preto correndo em dia de operação na favela é bandido".
Além do pastor Otoni de Paula, outros parlamentares também condenaram a ação da violenta da polícia e acusaram o governo fluminense de promover uma “chacina” e cobraram mudanças na política de segurança pública do estado.
O presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara, deputado Reimont (PT-RJ), disse que a operação pode ter deixado mais de 200 mortos. “É a maior chacina do Brasil, superando a do Carandiru”, declarou. Para ele, trata-se de “uma chacina continuada”, que se repete em diferentes ações policiais.
A líder do Psol, deputada Talíria Petrone (Psol-RJ), afirmou que a operação demonstra “falta de planejamento” e criticou o modelo de enfrentamento adotado pelo governo estadual.
“O que tem sido feito para enfrentar as organizações criminosas é um banho de sangue. Há décadas a gente enxuga sangue, e as famílias continuam sendo destruídas por um modelo de segurança pública encampado pelo governador Cláudio Castro, que é incompetente e covarde”, disse.
O deputado Lindbergh Farias (PT-RJ) destacou que a ação foi “a mais letal da história do Rio de Janeiro” e defendeu a aprovação da PEC da Segurança como alternativa para “garantir uma política de segurança com inteligência, cidadania e eficácia”.
“O governador Cláudio Castro insiste em um modelo falido, que ao invés de privilegiar inteligência e integração, prefere operações de guerra”, diz o parlamentar, que é vice-líder do governo no Congresso Nacional.
A deputada Jandira Feghali (PCdoB-RJ) também criticou a atuação do governo estadual.
“A política de segurança de Cláudio Castro é a política da chacina. Um governo que transforma medo e morte em palanque eleitoral. O Rio precisa de inteligência e planejamento, não de operações que executam o próprio povo”, afirmou.
Da redação do Portal de Prefeitura com informações da Agência Brasil.
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