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COP30: com saneamento básico em colapso, Belém expõe contradição como cidade-sede

Apenas 19% da população de Belém conta com coleta de esgoto, e menos de 3% desse esgoto é efetivamente tratado.

Portal de Prefeitura

17 de setembro de 2025 às 13:22   - Atualizado às 13:46

Falta de saneamento básico em Belem

Falta de saneamento básico em Belem Foto: Divulgação/Diario online

Enquanto o mundo se prepara para discutir soluções climáticas na COP30, marcada para novembro de 2025 em Belém (PA), a capital paraense enfrenta uma realidade que contrasta brutalmente com o discurso sustentável do evento: o saneamento básico em Belém está entre os piores do país.

De acordo com dados de 2024 do Instituto Água e Saneamento (IAS), apenas 19% da população de Belém conta com coleta de esgoto, e menos de 3% desse esgoto é efetivamente tratado. Isso significa que mais de 80% dos dejetos produzidos por cerca de 1,5 milhão de habitantes ainda são descartados sem tratamento adequado — em rios, valas ou diretamente no solo urbano.

O contraste se torna ainda mais evidente quando comparamos com a média nacional, que gira em torno de 59,7% para coleta de esgoto e 52% de tratamento, segundo o Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS). O drama do saneamento básico em Belém evidencia não apenas um problema ambiental, mas uma questão de saúde pública e dignidade humana.

Apesar de o abastecimento de água tratada alcançar mais de 90% da população, a irregularidade no serviço, falhas na distribuição e baixa pressão fazem com que muitos moradores recorram a fontes alternativas — como poços ou água de chuva — aumentando o risco de contaminação por doenças de veiculação hídrica.

Segundo urbanistas, o saneamento básico em Belém precisa deixar de ser promessa de vitrine internacional para se tornar prioridade permanente. “É inaceitável que uma capital da Amazônia, em 2025, ainda trate esgoto como algo invisível.

Com holofotes globais apontados para Belém, a cidade tem uma chance histórica — e perigosa. Ou transforma a COP30 em um ponto de virada real para infraestrutura e justiça ambiental, ou vai repetir o velho roteiro de maquiagem urbana: obras pontuais no centro, maquiagem ecológica para os turistas e, no dia seguinte ao evento, o abandono de sempre. Se isso acontecer, a COP30 não deixará um legado — apenas lembranças vazias e esgoto sem destino.

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