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Ciro Gomes sobe o tom contra o "modelo Nordeste": 25 anos de poder e dívidas bilionárias

Ex-ministro utiliza crise financeira do Piauí para citar hegemonia política na região: "Agiram para melhorar a vida de um pequeno grupo".

Portal de Prefeitura

30 de março de 2026 às 17:16   - Atualizado às 17:26

Rafael Fonteneles, Lula e Ciro Gomes

Rafael Fonteneles, Lula e Ciro Gomes Foto Montagem/Portal de Prefeitura

O que acontece no Piauí não é um caso isolado, mas o reflexo de um modelo de governança que se instalou em diversos estados do Nordeste. Esta é a tese central da mais recente análise de Ciro Gomes, que expandiu sua crítica ao endividamento piauiense para estados como Ceará, Bahia e Rio Grande do Norte. Para Ciro, o "sinal vermelho" nas contas públicas é o resultado inevitável de grupos que se perpetuam no poder há um quarto de século sem entregar desenvolvimento real.

Ao citar o empréstimo de R$ 18 bilhões tomado pelo Piauí, comparando-o desproporcionalmente ao de São Paulo, Ciro traça um paralelo com a realidade regional. Ele argumenta que estados como Bahia e Ceará enfrentam dilemas semelhantes: gestões que dominam a máquina pública por décadas (25 anos no caso do Piauí), mas que entregam um povo que "fuma o café já devendo o almoço e a janta".

A Crítica aos "Donos do Poder" na Região

Ciro Gomes foi incisivo ao apontar que a permanência prolongada dos mesmos grupos políticos no Nordeste não resultou em emancipação social, mas em um ciclo de dependência financeira. "Tirar o Piauí, o Ceará, o Rio Grande do Norte, a Bahia, das mãos de quem teve todos esses anos a oportunidade de melhorar a vida das pessoas, mas agiram apenas para um pequeno grupo", defendeu o político.

A crítica sugere que esses governos se tornaram especialistas em "gerir boletos", acumulando juros e amortizações que consomem o orçamento antes mesmo de qualquer investimento em saúde ou educação. No Piauí, esse modelo gerou um déficit de R$ 1,2 bilhão em 2025, um cenário que Ciro projeta como tendência para os vizinhos caso não haja uma ruptura política.

Um Novo Conceito para o Nordeste

Para o ex-governador, a solução não virá de quem criou o problema. Ele prega uma "nova mentalidade" para a região, baseada no equilíbrio financeiro e na quebra das hegemonias partidárias que, em suas palavras, "não mudaram nem um quarto do século".

A fala de Ciro ressoa como uma convocação para as eleições de 2026, posicionando a alternância de poder no Nordeste não apenas como uma questão democrática, mas como uma necessidade de sobrevivência econômica. "Só assim haverá um novo caminho de desenvolvimento real para todas as pessoas", concluiu, reforçando que o atual modelo esgotou sua capacidade de transformar a vida do povo nordestino.

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