Entre os registros obtidos pelos investigadores está uma mensagem enviada em setembro de 2025 na qual o vencimento de boletos considerados elevados.
18 de junho de 2026 às 12:03 - Atualizado às 12:05
Senador Jaques Wagner (PT-BA). Foto: Elza Fiúza/Agência Brasil
A Polícia Federal (PF) investiga uma transferência de R$ 3,5 milhões realizada para a BN Financeira Ltda., empresa apontada nos documentos da apuração como vinculada a Eduardo Mendonça Sodré Martins, enteado do senador Jaques Wagner (PT-BA). O repasse integra uma das linhas de investigação relacionadas ao caso envolvendo o Banco Master e está entre os principais focos do chamado eixo financeiro da apuração.
Segundo informações reunidas pela PF, a transferência foi efetuada em 17 de outubro de 2025 pela PKL One Participações S.A. A empresa é dirigida por Andréa Lima Novaes, identificada pelos investigadores como prima de Augusto Ferreira Lima, gestor associado ao Banco Master e citado no inquérito como um dos personagens centrais das apurações.
De acordo com os documentos analisados pela Polícia Federal, o pagamento ocorreu após contatos atribuídos a Eduardo Sodré cobrando valores de Augusto Ferreira Lima. Entre os registros obtidos pelos investigadores está uma mensagem enviada em setembro de 2025 na qual Eduardo menciona o vencimento de boletos considerados elevados.
A PF busca esclarecer se a transferência de R$ 3,5 milhões correspondeu a serviços efetivamente prestados pela BN Financeira ou se a operação teria sido utilizada para conferir aparência de legalidade a recursos considerados suspeitos pelos investigadores.
Nos documentos da investigação, a BN Financeira é apontada como uma empresa relevante para a análise do fluxo financeiro relacionado ao caso. A corporação é descrita pela PF como uma pessoa jurídica vinculada ao núcleo familiar do senador Jaques Wagner.
Eduardo Sodré aparece identificado nos autos como enteado do parlamentar e associado à empresa. No entanto, os documentos citados não detalham qual seria sua função formal dentro da BN Financeira, nem informam eventual participação societária ou cargo administrativo.
A vinculação feita pelos investigadores está relacionada principalmente às cobranças de pagamentos atribuídas a Eduardo e à identificação da empresa como integrante do núcleo familiar mencionado na investigação.
A principal suspeita analisada pela Polícia Federal envolve a origem e a finalidade dos recursos transferidos. Segundo a linha investigativa apresentada, a PKL One, dirigida por uma familiar de Augusto Ferreira Lima, realizou o repasse para a BN Financeira, empresa vinculada a Eduardo Sodré.
A partir desse fluxo financeiro, os investigadores tentam determinar se houve prestação legítima de serviços ou se a movimentação teve como objetivo ocultar possíveis vantagens indevidas.
Outro ponto observado pela PF é o perfil da empresa beneficiada. Conforme os documentos, a BN Financeira foi constituída como microempresa, com capital social considerado reduzido e aparente baixa capacidade operacional.
Para os investigadores, o recebimento de valores expressivos por uma empresa com essas características justifica um aprofundamento das apurações para verificar se havia estrutura compatível com os serviços supostamente contratados.
A investigação também menciona planilhas encontradas no celular de Daniel Lopes Monteiro, apontado pela PF como operador jurídico-financeiro ligado ao núcleo investigado.
Segundo os investigadores, os arquivos continham registros de pagamentos destinados a uma pessoa identificada como “Dudu”, apelido que a Polícia Federal atribui a Eduardo Sodré. Os valores registrados nas planilhas ultrapassariam R$ 2,34 milhões.
Além disso, os documentos apontam que Eduardo teria participado ativamente de tratativas relacionadas a cobranças financeiras, incluindo referências a boletos, notas fiscais, assinaturas de documentos e providências necessárias para formalização de pagamentos.
A PF também destaca que Augusto Ferreira Lima teria mencionado dificuldades para realizar determinados pagamentos em razão do insucesso de uma operação envolvendo o Banco Master e o Banco de Brasília (BRB). Para os investigadores, essa referência pode indicar uma possível relação entre os repasses analisados e interesses empresariais do grupo investigado.
No âmbito da operação, a Justiça autorizou medidas cautelares envolvendo a BN Financeira. Entre elas está a suspensão das atividades econômicas e financeiras da empresa.
A decisão foi fundamentada na suspeita de que a pessoa jurídica possa ter sido utilizada como instrumento para receber e ocultar recursos considerados suspeitos pela investigação. As apurações seguem em andamento e ainda buscam confirmar a origem dos valores, a existência de contratos ou serviços efetivamente realizados e a eventual responsabilidade dos envolvidos.
Em nota, a defesa de Augusto Ferreira Lima afirmou que as diligências realizadas pela Polícia Federal eram desnecessárias. Segundo os advogados, ele estaria há seis meses à disposição das autoridades para prestar esclarecimentos sobre os fatos investigados.
A defesa também declarou que as medidas adotadas contribuirão para demonstrar a legalidade das operações analisadas e sustentou que Augusto Lima sempre atuou dentro dos limites da legislação, observando as normas aplicáveis ao sistema financeiro e à administração pública.
Até a última atualização das informações, a defesa do senador Jaques Wagner não havia se pronunciado sobre o caso. Confira a nota completa abaixo:
"As diligências realizadas pela Polícia Federal nesta data eram desnecessárias, uma vez que Augusto Lima está há seis meses à disposição das autoridades para esclarecer os fatos em apuração.
De todo modo, as medidas contribuirão para demonstrar que os fatos apurados nesta fase da investigação são rigorosamente lícitos.
Augusto Lima sempre atuou dentro dos limites da lei, com transparência, responsabilidade técnica e observância das normas que regem o sistema financeiro e a administração pública".
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