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Caixa leiloa apartamento de Eduardo Bolsonaro no Rio por R$ 644 mil após dívida de financiamento de R$ 780 mil

Imóvel em Botafogo foi retomado pelo banco após inadimplência do financiamento e será disputado em licitação aberta.

08 de agosto de 2026 às 13:54   - Atualizado às 14:02

Apartamento de Eduardo Bolsonaro no Rio de Janeiro. 

Apartamento de Eduardo Bolsonaro no Rio de Janeiro.  Fotos: Zeca Ribeiro/Câmara dos Deputados e Reprodução/Google Street View

O apartamento que pertenceu ao ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), localizado em Botafogo, na Zona Sul do Rio de Janeiro, será colocado à venda pela Caixa Econômica Federal no dia 20 de agosto. O imóvel foi retomado pelo banco após a inadimplência do financiamento contratado para a compra.

Localizado na Avenida Pasteur, o apartamento foi avaliado pela Caixa em R$ 1,011 milhão. O lance mínimo estabelecido para a licitação é de R$ 644,3 mil, valor cerca de 36% inferior à avaliação feita pelo banco.

A venda ocorrerá na modalidade de licitação aberta e será realizada exclusivamente pela internet. Nesse formato, o imóvel será arrematado pelo participante que apresentar a maior proposta acima do preço mínimo definido pela Caixa.

A informação foi divulgada inicialmente pelo jornalista Ruben Berta, do Jornal Ururau, e confirmada pelo g1 a partir da análise de documentos públicos.

Documentos analisados pelo g1 mostram que Eduardo Bolsonaro financiou R$ 780 mil para comprar o apartamento. O contrato com a Caixa foi firmado em outubro de 2017 e estabelecia prazo de 420 meses para o pagamento.

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Após o não pagamento das parcelas, o banco iniciou o procedimento de cobrança. A Caixa tentou realizar a intimação pessoal do então proprietário, mas, sem sucesso, fez a intimação por edital eletrônico nos dias 5, 6 e 7 de novembro de 2025. O procedimento concedeu o prazo previsto em lei para a regularização da dívida.

Como os pagamentos não foram realizados, a propriedade do imóvel foi consolidada em nome da Caixa em 30 de março de 2026. Com a transferência, o apartamento passou a integrar os bens ofertados pelo banco em licitação pública.

O apartamento de Botafogo já havia sido mencionado em reportagens em 2020 devido à forma como parte da compra foi paga. Segundo a escritura pública, Eduardo Bolsonaro deu um sinal de R$ 81 mil, além de pagar R$ 100 mil em espécie no momento da assinatura do documento. Outros R$ 18,9 mil deveriam ser quitados poucos dias depois. O restante do valor foi financiado pela Caixa.

O ex-deputado também comprou outro imóvel com pagamento em dinheiro vivo em 2011, quando ainda não ocupava o cargo de deputado federal. O apartamento ficava em Copacabana e foi adquirido por R$ 160 mil.

Na ocasião, R$ 110 mil foram pagos por meio de cheque administrativo e os outros R$ 50 mil em espécie. A escritura registrou ainda que a Prefeitura do Rio de Janeiro avaliava o imóvel, para fins fiscais, em R$ 228 mil.

Uma reportagem publicada pelo portal UOL em 2022 também apontou que 51 imóveis comprados pela família Bolsonaro haviam sido pagos em dinheiro vivo. Segundo o levantamento citado no material, o valor corrigido pela inflação chegaria atualmente a quase R$ 26 milhões.

Características e histórico do apartamento

O apartamento de Botafogo possui cerca de 101 metros quadrados e fica no terceiro andar de um edifício de frente para a Baía de Guanabara.

A matrícula do imóvel registra que Eduardo Bolsonaro adquiriu o apartamento por meio de instrumento particular com força de escritura pública, registrado em outubro de 2017. Na mesma data, foi registrada a alienação fiduciária em favor da Caixa referente ao financiamento de R$ 780 mil, com prazo de 420 meses pelo Sistema de Amortização Constante (SAC).

A matrícula também registra uma averbação de indisponibilidade de bens determinada pelo gabinete do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). O registro foi feito em 22 de julho de 2025 e faz referência a uma ordem expedida em processo que tramita na Corte.

O documento, porém, não reproduz o conteúdo da decisão nem informa seus fundamentos. Mesmo após a averbação, o procedimento de execução do financiamento continuou. A Caixa realizou as intimações previstas em lei e consolidou a propriedade do imóvel em seu nome em março de 2026.

A matrícula informa ainda que, após a transferência, a Caixa recolheu R$ 31.471,83 de Imposto sobre Transmissão de Bens Imóveis (ITBI) ao município do Rio de Janeiro.

O apartamento agora integra a Licitação Aberta da Caixa, marcada para 20 de agosto. Conforme o edital, a disputa será exclusivamente online e vencerá o participante que apresentar a maior oferta acima do valor mínimo.

A Caixa Econômica Federal foi procurada para prestar esclarecimentos sobre a retomada do imóvel, a licitação e os possíveis efeitos da indisponibilidade registrada na matrícula, mas não havia se manifestado até a última atualização do material enviado. A defesa de Eduardo Bolsonaro também foi procurada, mas não havia respondido aos contatos.

*Texto produzido com auxílio de Inteligência Artificial (IA)

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