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Cabo de Santo Agostinho, cidade mais violenta de PE, gasta mais em festa que em combate às drogas

Cidade mais violenta de Pernambuco destina R$ 2,5 milhões a evento de fim de ano, o dobro do previsto para políticas antidrogas em 2026.

Portal de Prefeitura

09 de novembro de 2025 às 12:15   - Atualizado às 12:32

Prefeito eleito do Cabo de Santo Agostinho, Lula Cabral

Prefeito eleito do Cabo de Santo Agostinho, Lula Cabral - Divulgação

O Cabo de Santo Agostinho, na Região Metropolitana do Recife, volta a ser destaque nacional e não pelos melhores motivos. Segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2025, o município é a cidade mais violenta de Pernambuco, com taxa de 73,3 homicídios por 100 mil habitantes, uma das maiores do país.

Mesmo diante desse cenário preocupante, a Prefeitura anunciou o Circuito de Verão 2025, que acontecerá nos dias 13 e 14 de dezembro e terá shows de Cláudia Leitte e Pablo do Arrocha. O evento deve custar mais de R$ 2,5 milhões aos cofres públicos, valor duas vezes maior que o orçamento previsto para a Secretaria Municipal de Combate às Drogas em 2026, de R$ 1,248 milhão, segundo denúncia do vereador Sargento Almeida (PSD).

Violência e prioridades questionadas

O Cabo de Santo Agostinho enfrenta altos índices de criminalidade, problemas estruturais e carência de políticas públicas voltadas à juventude. Para o vereador Sargento Almeida, o contraste entre os gastos com festas e os investimentos sociais evidencia prioridades distorcidas.

“Enquanto a cidade sofre com a violência e falta de oportunidades, a gestão investe milhões em eventos, em vez de fortalecer programas de prevenção e recuperação”, criticou o parlamentar.

Festa milionária e baixa execução social

De acordo com o portal Política em Foco, o contrato do Circuito de Verão inclui montagem de estrutura, som, segurança e cachês artísticos, totalizando mais de R$ 2,5 milhões. A Secretaria de Combate às Drogas, por outro lado, terá orçamento inferior à metade desse valor para todo o próximo ano.

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A discrepância reacende o debate sobre prioridades orçamentárias e transparência pública, especialmente em cidades que enfrentam graves desafios sociais e altos índices de violência.

Dois dias de muita música, alegria e aquela energia boa que só o Cabo tem! 

13/11 (Quinta): Mateus Lima, PV Calado, Neiff, Lipe Lucena, DJ Deb Lima e Pablo

14/11 (Sexta): Sent o Samba, Sheldon, Claudia Leitte, MC Troinha e Tayara Andreza

Anuário Brasileiro de Segurança Pública

O Anuário Brasileiro de Segurança Pública (ABSP) é uma publicação anual muito relevante no cenário da segurança pública no Brasil. A edição de 2025 a 19ª foi elaborada pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) e oferece um panorama amplo e detalhado da violência, dos crimes e das instituições de segurança em todo o país.

O que é o Anuário

O Anuário apresenta estatísticas oficiais fornecidas por secretarias estaduais de segurança pública, polícias civis, militares e outras instituições, consolidando dados nacionais. 

Tem como objetivos principais: promover a transparência dos dados de segurança pública, servir como base para avaliação de políticas públicas, fomentar o debate público e qualificar o conhecimento sobre violência e vitimização. 

A edição de 2025 cobre principalmente os dados referentes ao ano de 2024. 

Principais achados da edição de 2025

  • Em 2024, o Brasil registrou 44.127 mortes violentas intencionais (MVI), o que representa uma queda de cerca de 5,4% em relação ao ano anterior.

  • O Anuário também destaca que, apesar da queda nos homicídios, outras formas de violência continuam em alta — como estupros, violência doméstica, crimes digitais e letalidade policial. 

  • Por exemplo: foram registradas 1.492 feminicídios em 2024 o número mais alto da série histórica do Anuário. 

  • O documento revela que ações policiais ou oficiais resultaram em 1.914 mortes em capitais brasileiras em 2024, um crescimento de cerca de 0,9% em relação a 2023. 

Por que o Anuário importa

  • O Anuário fornece base documental e estatística para jornalistas, pesquisadores, formuladores de políticas, organizações civis e gestores públicos analisarem a violência e a segurança no Brasil com respaldo numérico.

  • Ele permite comparações anuais, regionais e entre estados, o que ajuda a identificar tendências positivas (como quedas em homicídios) ou negativas (como aumentos em determinados tipos de crime).

  • Ajuda a detectar prioridades de ação, como onde a violência é mais grave, onde a letalidade policial cresce ou onde grupos vulneráveis são mais atingidos.

  • Favorece a transparência pública ao disponibilizar dados que, muitas vezes, ficam dispersos ou pouco acessíveis.

Limitações e cuidados

  • Mesmo sendo bastante abrangente, o Anuário depende dos dados fornecidos pelos estados, o que pode gerar diferenças de qualidade e cobertura entre regiões.

  • A queda em determinados indicadores não significa que todos os tipos de violência estejam sob controle — o documento mostra que a violência “muda de forma”, se desloca ou se concentra em novos perfis.

  • Os dados por si só não substituem a necessidade de políticas públicas consistentes, monitoramento contínuo e atuação integrada entre segurança, saúde, educação e assistência social.

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