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Brasil se cala na ONU e se abstém sobre sequestro de crianças ucranianas pela Rússia

Brasil se abstém em votação da ONU que condena a Rússia pelo sequestro e deportação de crianças ucranianas. Resolução foi aprovada com 91 votos.

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04 de dezembro de 2025 às 11:29   - Atualizado às 11:41

Lula na Assembleia Geral da ONU

Lula na Assembleia Geral da ONU Foto: Ricardo Stuckert

O Brasil voltou a adotar uma postura de neutralidade, vista por muitos como omissão, ao se abster na votação de uma resolução da ONU que exige o retorno imediato de crianças ucranianas levadas à força pela Rússia desde o início da guerra, em 2022. A decisão ocorreu nesta quarta-feira (3/12) e rapidamente repercutiu no cenário internacional, especialmente entre aliados da Ucrânia.

A resolução, considerada urgente por organismos humanitários, foi aprovada por 91 países, incluindo os Estados Unidos, que tentam mediar negociações para a redução das hostilidades. Outros países optaram pelo apoio explícito ao documento, reforçando a gravidade das denúncias relacionadas ao tratamento de crianças em território ucraniano ocupado.

ONU denuncia transferências forçadas e sequestros

Embora não exista número exato de crianças ucranianas deportadas pela Rússia, a ONU documenta violações graves, como transferências forçadas, deportações, separação familiar, sequestros e tentativas de reeducação cultural — todos considerados crimes de guerra pelo Tribunal Penal Internacional (TPI).

Essas mesmas práticas fundamentaram os mandados de prisão do TPI contra Vladimir Putin e contra Maria Lvova-Belova, comissária russa para direitos da criança. Os investigadores afirmam que menores foram removidos ilegalmente de regiões ocupadas e levados para adoção, doutrinação ou mudanças compulsórias de cidadania.

O que a resolução pede

Principais exigências

  • Garanta o retorno imediato e seguro de todas as crianças deportadas;
  • Interrompa qualquer forma de transferência forçada ou separação familiar;
  • Cesse mudanças compulsórias de cidadania, adoção ou acolhimento;
  • Suspenda ações de doutrinação e assimilação cultural de menores ucranianos.

Apesar da ampla aprovação, o Brasil optou pela abstenção, alinhando-se a países que preferem não apontar responsabilidades diretas enquanto tentam manter relações diplomáticas com ambos os lados do conflito.

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Reação da Ucrânia

Nas redes sociais, o embaixador ucraniano Andriy Melnyk agradeceu aos países que votaram a favor e fez uma crítica velada aos que ficaram neutros:

“Minha gratidão aos 92 Estados que se posicionaram do lado certo da história. E não me esquecerei daqueles que optaram pela abstenção. Jamais.”

A mensagem foi interpretada como um recado direto ao Brasil e a outras nações que evitaram apoiar a condenação explícita à Rússia.

Pressão internacional sobre a diplomacia brasileira

A decisão reacende o debate sobre o posicionamento brasileiro na guerra da Ucrânia. Para críticos, a abstenção reforça uma política externa que busca equilíbrio, mas acaba soando como silêncio diante de um crime humanitário. Para defensores, a estratégia tenta preservar o papel do Brasil como interlocutor.

Enquanto isso, a situação das crianças deportadas continua sem solução imediata e a cobrança por respostas cresce no âmbito internacional.

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