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Brasil e EUA definem data de reunião para discutir tarifaço após conversa entre Lula e Trump

Segundo o Palácio do Planalto, o telefonema ocorreu de forma cordial e serviu para abrir um novo canal de diálogo entre Brasília e Washington.

Ricardo Lélis

25 de agosto de 2026 às 20:20   - Atualizado às 20:20

Encontro entre Donald Trump e Lula nos EUA

Encontro entre Donald Trump e Lula nos EUA Foto: Ricardo Stuckert/PR

Brasil e Estados Unidos vão retomar as negociações comerciais na próxima segunda-feira, 31 de agosto, em meio à disputa provocada pelas tarifas impostas pelo governo norte-americano sobre produtos brasileiros.

O encontro está marcado para as 14h30, no horário de Brasília, entre o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, e o representante comercial dos Estados Unidos (USTR), Jamieson Greer.

A reunião será o primeiro encontro entre representantes dos dois governos após a retomada do diálogo acertada pelos presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump.

Os dois conversaram por telefone na última sexta-feira (21), em uma ligação que durou aproximadamente uma hora e 20 minutos.

Segundo o Palácio do Planalto, o telefonema ocorreu de forma cordial e serviu para abrir um novo canal de diálogo entre Brasília e Washington.

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A conversa aconteceu em um momento de tensão na relação comercial entre os dois países, principalmente por causa das novas tarifas aplicadas pelos Estados Unidos a produtos brasileiros.

Durante a ligação, Lula defendeu a retomada das negociações e afirmou que as justificativas apresentadas pelo governo norte-americano para a adoção das tarifas são infundadas. O presidente brasileiro também argumentou que as medidas prejudicam tanto a economia do Brasil quanto a dos Estados Unidos.

Tarifas estão no centro das negociações

Entre os argumentos utilizados pelos Estados Unidos para justificar as medidas estão questões relacionadas a desmatamento, acordos preferenciais, propriedade intelectual, combate à corrupção, Pix, etanol e importações de produtos associados ao trabalho forçado.

Lula defendeu o diálogo como forma de preservar a relação comercial entre os dois países. Trump, por sua vez, concordou com a necessidade de manter os vínculos comerciais e sinalizou a retomada do contato entre as equipes dos dois governos.

A reaproximação ocorre depois de uma sequência de medidas tarifárias adotadas pelos Estados Unidos. Em julho, o USTR impôs uma sobretaxa de 25% sobre diversos produtos provenientes do Brasil, após aproximadamente um ano de análise.

Entre os setores atingidos estão exportadores de ferro e aço, vestuário, calçados, açúcar, etanol, produtos farmacêuticos, maquinário agrícola e máquinas elétricas que não são destinadas ao setor de aviação, além de outros produtos manufaturados.

O governo norte-americano afirmou que determinadas práticas adotadas pelo Brasil seriam descabidas e onerariam ou restringiriam o comércio de agricultores, trabalhadores, inovadores e exportadores dos Estados Unidos.

Uma sobretaxa adicional de 12,5% também foi aplicada posteriormente sobre outros produtos brasileiros. A justificativa apresentada pelos Estados Unidos foi a de que o Brasil não adotaria mecanismos eficazes para impedir a entrada de mercadorias produzidas com trabalho forçado.

Impacto sobre as exportações brasileiras

Com as novas tarifas, que estão em vigor desde o fim do mês passado, cerca de US$ 6,6 bilhões em exportações brasileiras para o mercado norte-americano são afetados, segundo levantamento do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços.

A disputa também chegou à Organização Mundial do Comércio (OMC). O governo brasileiro apresentou um pedido de consultas no sistema de solução de controvérsias da entidade, argumentando que as tarifas aplicadas pelos Estados Unidos são "inconsistentes" com as regras estabelecidas pela organização.

Os Estados Unidos aceitaram o pedido e participarão das consultas no âmbito da OMC.

Desde o início das medidas tarifárias do governo Trump, o Brasil também vem destacando que os Estados Unidos mantêm superávit na relação comercial bilateral. Ou seja, segundo o governo brasileiro, os norte-americanos vendem mais ao Brasil do que compram produtos brasileiros.

Enquanto as negociações entre os dois governos serão retomadas, o governo brasileiro afirma que continuará adotando medidas para reduzir os impactos provocados pelas tarifas sobre a economia e a renda dos brasileiros.

O encontro entre Márcio Elias Rosa e Jamieson Greer, portanto, deverá representar uma nova etapa do diálogo entre os dois países em torno das medidas comerciais e de seus efeitos sobre as exportações brasileiras.

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