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Brasil critica tarifas de Trump na OMC: 'Arbitrárias e caóticas', diz embaixador

A Casa Branca notificou, no início de julho, a imposição de tarifas de até 50% sobre produtos brasileiros exportados para o mercado americano, com previsão de entrada em vigor no próximo dia 1º de agosto.

Isabella Lopes

23 de julho de 2025 às 15:05   - Atualizado às 16:24

Lula e Trump.

Lula e Trump. Foto: Ricardo Stuckert/PR e Reprodução/Redes Sociais

O governo brasileiro manifestou forte preocupação com a nova política comercial dos Estados Unidos durante reunião do Conselho Geral da Organização Mundial do Comércio (OMC). O alerta veio do secretário de Assuntos Econômicos e Comerciais do Itamaraty, embaixador Philip Fox-Drummond Gough, que condenou o uso de tarifas como instrumento de pressão política.

Sem citar diretamente o nome do presidente norte-americano Donald Trump, o diplomata classificou as medidas tarifárias anunciadas pelo republicano como "arbitrárias" e alertou para o risco de se abrir um precedente perigoso nas relações internacionais.

"Estamos testemunhando uma mudança extremamente perigosa em direção ao uso de tarifas como ferramenta para tentar interferir nos assuntos internos de terceiros países", afirmou o embaixador durante o discurso.

Medidas ameaçam exportações brasileiras

O posicionamento do Itamaraty ocorre em meio à escalada de tensão entre Brasil e Estados Unidos. A Casa Branca notificou, no início de julho, a imposição de tarifas de até 50% sobre produtos brasileiros exportados para o mercado americano, com previsão de entrada em vigor no próximo dia 1º de agosto.

A decisão gerou inquietação no setor produtivo e pressionou o governo federal a buscar saídas diplomáticas. O curto prazo para negociação torna o cenário ainda mais sensível para o agronegócio e a indústria nacional, especialmente diante do histórico de dependência comercial com o mercado americano.

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Segundo fontes do Itamaraty, o tom mais incisivo adotado no discurso da OMC reflete a gravidade do impasse e a tentativa de sensibilizar outros membros da organização sobre os impactos sistêmicos da postura dos EUA.

Conflito tem motivação política, sugere embaixador

Embora o Itamaraty evite afirmar publicamente, o conteúdo da carta enviada por Trump ao governo brasileiro deixa claro o pano de fundo político das sanções. O presidente norte-americano mencionou o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro, classificando o processo como "caça às bruxas".

O governo brasileiro entende que a vinculação de questões políticas internas do país a decisões comerciais é um ataque à soberania e contraria os princípios básicos que regem o comércio multilateral.

Brasil estuda retaliar com base na Lei da Reciprocidade

No plano interno, o Congresso Nacional aprovou recentemente a Lei da Reciprocidade Econômica, que abre caminho para que o Brasil também aplique tarifas retaliatórias a países que adotem barreiras injustificadas contra produtos nacionais.

Apesar disso, o discurso do Itamaraty mantém tom diplomático. O embaixador reforçou que o Brasil continuará priorizando o diálogo e a busca por soluções consensuais.

"Continuaremos a priorizar soluções negociadas e a nos basear em boas relações diplomáticas e comerciais. Caso as negociações fracassem, recorreremos a todos os meios legais disponíveis para defender nossa economia e nosso povo, e isso inclui o sistema de solução de controvérsias da OMC", declarou Fox-Drummond Gough.

Outros países já buscam acordos diretos com os EUA

Enquanto o Brasil insiste no caminho multilateral, outras nações têm adotado estratégias bilaterais para evitar sanções. Informações de bastidores indicam que Reino Unido, Indonésia, Filipinas, Vietnã e Japão já firmaram entendimentos com Trump para garantir a manutenção das relações comerciais.

A situação acende o alerta para o risco de enfraquecimento das instituições internacionais de comércio, caso países com maior poder econômico passem a definir unilateralmente regras e punições. O governo brasileiro, por sua vez, reforça o compromisso com os princípios da OMC e a necessidade de defender o equilíbrio nas relações comerciais globais.

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