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Alepe: deputados debatem operação policial no Rio de Janeiro na reunião plenária

A ação, ocorrida na última terça (28), matou cerca de 130 pessoas, sendo quatro policiais.

Ricardo Lélis

30 de outubro de 2025 às 12:55   - Atualizado às 12:55

Deputados João Paulo, Joel da Harpa e Dani Portela.

Deputados João Paulo, Joel da Harpa e Dani Portela. Fotos: Divulgação

A operação policial que matou cerca de 130 pessoas no Rio de Janeiro repercutiu na reunião plenária da Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe), da quarta (29).

João Paulo (PT) repudiou a medida, realizada nos complexos do Alemão e da Penha na última terça (28), que se tornou a operação policial mais letal da história do Estado.

O parlamentar classificou a ação como “massacre e barbárie” e exaltou a importância de discutir uma política de segurança nacional.

“Todos nós somos a favor de uma política de segurança que coíba a ação de criminosos, mas não podemos nos calar diante do que vimos no Rio: forças do estado bombardeando áreas residenciais lotadas de pessoas e matando indiscriminadamente. Isso não é política de segurança, é massacre e barbárie”, afirmou.

Ele ainda ressaltou que a operação jamais poderia ser realizada sem o apoio e conhecimento do Governo Federal e cobrou explicações públicas do governador Cláudio Castro (PL-RJ).

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Joel da Harpa (PL) rebateu as críticas de João Paulo. O deputado defendeu a ação das forças de segurança e afirmou que o discurso da esquerda fortalece o crime organizado e o tráfico de drogas no País.

Ele também avaliou negativamente a declaração do presidente Lula, que disse na semana passada, em Jacarta, na Indonésia, que “traficantes de drogas são vítimas dos usuários”. Para o parlamentar, tratar criminosos como vítimas é um erro, e as imagens vistas no Rio foram descritas por ele como “verdadeiras cenas de guerra”.

“Ao enfrentar a polícia com fuzil, drone, pistola, os bandidos vão esperar o quê, flores? É bala na cara”, afirmou o deputado do PL. Joel da Harpa também lembrou dos policiais que perderam a vida durante o confronto e alertou que o caso do Rio deve servir de exemplo para o restante do Brasil, inclusive para Pernambuco, onde as facções criminosas também têm se expandido.

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

Por sua vez, Dani Portela (PSOL) classificou o evento como uma das “maiores chacinas” da história do Rio de Janeiro, denunciando uma “política de extermínio”.

A parlamentar utilizou o termo “necropolítica” para descrever a situação, destacando que os corpos eram “quase todos pretos”, assim como a maioria dos 2.500 agentes envolvidos.

Ela argumentou que esses confrontos são orquestrados por pouquíssimos homens, “quase todos brancos”, que, dos seus gabinetes, decidem sobre a vida e a morte no País.

A deputada criticou o fato da política de segurança não enfrentar as causas estruturais da violência, nem atingir os financiadores do crime organizado, frequentemente localizados em áreas mais ricas. Ela citou o caso de Yago Ravel, 19 anos, que não tinha antecedentes criminais e foi decapitado e teve a cabeça pendurada em uma árvore durante a ação policial.

Responsabilizando diretamente o governador Cláudio Castro, a quem chamou de “governador das chacinas”, a parlamentar afirmou que tais ações enfraquecem o estado democrático de direito.

“O governador do PL é responsável por quatro das cinco operações policiais mais letais em toda a história da Região Metropolitana do Rio de Janeiro. As ações fazem parte de uma necropolítica de segurança pública marcada pela alta mortalidade e pela ausência de inteligência. Parece que são características muito pertinentes aos bolsonaristas”, cravou.

Dani Portela questionou a validade do resultado da operação, enfatizando que a alta letalidade não pode ser confundida com sucesso. “Não há sucesso, não há vitória em uma operação que mata 132 pessoas”.

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