A proposta do encontro é levar a discussão para dentro das comunidades, contribuindo para a mudança de comportamento e a construção de uma cultura de respeito.
Audiência Pública na Alepe. (Fotos: Divulgação)
O avanço dos casos de feminicídio em Pernambuco pautou uma audiência pública na Assembleia Legislativa (Alepe) marcada por apelos à prevenção, acolhimento e mudança cultural.
A iniciativa foi do deputado Joel da Harpa (PL), presidente da Comissão de Segurança Pública, que destacou a necessidade de envolver os homens no enfrentamento à violência.
“Este tema precisa chegar em nós, homens, porque a grande maioria dessa violência vem dos homens. É preciso criar um movimento de defesa das nossas mulheres”, afirmou.
Durante o debate, a delegada Bruna Falcão, da Polícia Civil, apresentou dados que revelam eficiência investigativa — cerca de 92% dos inquéritos de 2026 já foram concluídos —, mas fez um alerta contundente: a repressão sozinha não resolve.
“Não é suficiente só prender. A polícia chega quando a dor já foi produzida. Precisamos olhar para outras políticas públicas”, declarou.
Ela também ressaltou a importância das medidas protetivas, lembrando que, em 2025, foram concedidas cerca de 25 mil, enquanto apenas quatro das 88 vítimas de feminicídio tinham esse tipo de proteção. A delegada ainda destacou o aplicativo 197 Mulher, que permite denúncias sigilosas 24 horas.
Representando a Defensoria Pública, Débora Andrade chamou atenção para formas silenciosas de violência, como o uso de questões familiares — guarda dos filhos, pensão e divórcio — como instrumentos de controle.
A promotora Maísa Silva de Melo Oliveira, do Ministério Público de Pernambuco, reforçou que o medo e a dependência emocional são fatores que dificultam a ruptura do ciclo de violência.
Na mesma linha, a psicóloga Walkíria Alves, da Secretaria da Mulher, defendeu ações estruturantes.
“Não basta apenas leis. É preciso investir em educação, transformação cultural e fortalecimento da rede de apoio”, pontuou.
As falas convergiram para a necessidade de atuar antes da violência se concretizar.
A audiência também reuniu representantes da Polícia Militar, da OAB Pernambuco, da Cooperativa de Profissionais de Enfermagem (Coopsas) e de movimentos sociais como Pernambuco Sem Feminicídio e Elas na Direção, reforçando o caráter integrado do enfrentamento ao problema.
Um dos destaques foi a participação do pastor Israel Guerra, da Igreja Batista do Pina, que enfatizou o papel das instituições religiosas na conscientização dos fiéis.
Segundo ele, igrejas de diversas denominações estão se mobilizando para um encontro, o qual vai abordar o tema e a importância da promoção de debates, orientação e apoio às vítimas.
A proposta é levar a discussão para dentro das comunidades, contribuindo para a mudança de comportamento e a construção de uma cultura de respeito.
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