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Alckmin se reúne com secretário de Comércio de Trump e debate fim do tarifaço

O vice-presidente afirmou que o encontro foi longo e que destacou o interesse do Brasil em reverter a taxação de 50%.

Everthon Santos

25 de julho de 2025 às 08:17   - Atualizado às 08:17

Alckmin e Trump.

Alckmin e Trump. Foto: Reprodução

O vice-presidente da República e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, afirmou na quinta-feira, 24 de julho, que conversou no último sábado com o secretário de Comércio dos Estados Unidos, Howard Lutnick.

A interação durou cerca de 50 minutos, focada na posição brasileira em buscar a reversão do cenário de vigência da tarifa de 50% já em 1º de agosto.

"Nós conversamos com o governo norte-americano, tivemos uma conversa com o secretário de Comércio, longa, colocando todos os pontos e destacando o interesse do Brasil na negociação, e destacando que o presidente Lula tem orientado negociação, não ter contaminação política nem ideológica", disse em coletiva de imprensa nesta tarde.

Ele repetiu que não há razão econômica para tarifa proibitiva contra os produtos brasileiros.

Se houver vigência da taxa de 50% seria "um perde-perde" com o aumento da inflação nos Estados Unidos e diminuição das exportações brasileiras, conforme o argumento apresentado. O vice-presidente da República também repetiu que o Brasil negocia com os EUA por "canais institucionais e de forma reservada".

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Bolsonaro nega relação com tarifaço

O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) negou ter relação com o tarifaço do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de 50% sobre todos os produtos brasileiros e disse não ter o que fazer em relação à medida anunciada há duas semanas.

"Isso é lá do governo Trump. Não tem nada a ver com a gente. Querem colar na gente os 50%. Mentira", disse. "Eu não tenho contato com autoridades americanas."

Em entrevista à jornalista Andréia Sadi, do G1, nesta segunda-feira, 21, o ex-presidente negou ainda que seu filho, o deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), possa negociar com autoridades americanas sobre a taxação.

"Ele não pode falar em nome do governo do Brasil. O Eduardo não pode falar em nome do governo brasileiro", disse o ex-presidente.

As declarações desta segunda contradizem a posição que a família Bolsonaro vinha mantendo desde o anúncio das tarifas, no último dia 9. Na ocasião, Trump enviou uma carta ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), na qual informou que todos os produtos importados do Brasil para os EUA serão taxados em 50%.

Entre as justificativas, estão o tratamento dado pelo País ao ex-presidente e as decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) contra empresas americanas de tecnologia. Dois dias antes, Trump havia publicado nota afirmando que Bolsonaro sofria perseguição e "caça às bruxas".

Eduardo, que declaradamente se mudou para os Estados Unidos em busca de sanções contra autoridades brasileiras, se colocou, inclusive, à disposição do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), para levar as propostas do governador aos negociadores americanos.

Bolsonaro chegou a dizer na última quinta-feira, 17, em visita ao Senado, que Eduardo é "mais útil" nos EUA, e se colocou à disposição para conversar com o presidente sobre tarifaço.

Na convicção do ex-presidente, ele teria condições de barrar a investigação comercial aberta contra o Brasil e a guerra tarifária. "Acho que teria sucesso uma audiência com presidente Trump. Estou à disposição", disse. "Se me der um passaporte, negocio."

Na última sexta-feira, 18, Bolsonaro passou a usar tornozeleira eletrônica e foi submetido a outras medidas cautelares por decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo.

Em plenário virtual, a Primeira Turma formou maioria para referendar as medidas impostas pelo ministro, em votos destacando a soberania nacional e o risco de fuga.

Estadão Conteúdo

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