Assessor de investimentos Wesley Cardozo tira dúvidas sobre liquidação do Will Bank. Foto: João Guilherme/Portal de Prefeitura
Após a liquidação do Will Bank, anunciada pelo Banco Central, muitos usuários passaram a enfrentar incertezas, especialmente aqueles que mantinham valores elevados, investimentos e utilizavam a fintech como principal meio de recebimento.
A medida gerou uma onda de questionamentos sobre acesso ao dinheiro, pagamento de dívidas e segurança dos investimentos.
Diante desse cenário, o Portal de Prefeitura recebeu diversas mensagens de leitores em busca de orientação. Para esclarecer as principais dúvidas, o portal convidou o assessor de investimentos Wesley Cardozo, que explicou quais são os próximos passos que os clientes do Will Bank devem adotar após a intervenção.
Em entrevista concedida à jornalista Fernanda Diniz, Wesley detalhou o que significa a liquidação de uma instituição financeira, citando inclusive o caso recente do Banco Master, que passou pelo mesmo processo há menos de seis meses.
"A liquidação que o Banco Central fez é nada mais que o entendimento que o banco não tem mais a capacidade de pagar seus credores. Então o Banco Central intervém para que isso não crie um efeito bola de neve e aumente ainda mais a dívida desse banco", disse Wesley.
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Segundo o assessor, os correntistas não precisam abrir um novo processo judicial, mas também não terão acesso imediato aos valores mantidos na instituição. Nesse contexto, entra em ação o Fundo Garantidor de Créditos (FGC).
"Não precisa abrir um novo processo, porém os correntistas e os investidores não têm mais acesso a esse dinheiro. Eles vão ter que entrar por um mecanismo. Existe uma instituição privada aqui no Brasil chamada FGC, que é o Fundo Garantidor de Créditos, que é como se fosse um condomínio entre os bancos. E esse condomínio ele vai garantir que no momento de insolvência de um banco, ele vai pagar até 250 mil por CPF para que essa pessoa, tenha mais uma camada de segurança em relação a esses investimentos de sua conta corrente", continuou.
Um dos principais questionamentos envolve as dívidas, especialmente o cartão de crédito. Wesley foi direto ao esclarecer que as obrigações permanecem.
"Você tem sim que pagar seu cartão de crédito. Não vai ter perdão da dívida. No momento da liquidação, o FGC vai tomar essa dívida para ele e assim você vai ter que começar a dever, na verdade, ao FGC. Isso é um patrimônio do banco e esse patrimônio vai ajudar a pagar os credores", explicou.
Sobre o risco de negativação do nome, o assessor confirmou que ele existe caso a fatura não seja paga.
"Sim, a negativação é normal, como se fosse um banco que não tivesse liquidado. Então a recomendação com certeza é essa, continue pagando sua fatura normalmente. Você vai ser apresentado o mecanismo de como pagar essa fatura, mas sim, você deve continuar pagando", afirmou.
Wesley também explicou como os clientes podem acionar o FGC para reaver valores de até R$ 250 mil.
"Se você tem até 250 mil em conta corrente ou investimentos no YouBank, você tem que acionar o FGC. E a maneira de fazer isso é muito simples. Você vai baixar o aplicativo do FGC, vai fazer o seu cadastro e vai aguardar o Banco Central receber a lista de todos os clientes do banco. A partir disso, e costuma ser entre 30 a 45 dias, quando o Banco Central receber essa lista, você vai poder solicitar a sua garantia e feita a solicitação da garantia, em até 48 horas o dinheiro será recebido no seu saldo".
O assessor também aproveitou para alertar investidores sobre a importância de avaliar riscos antes de aplicar recursos em instituições financeiras, destacando a solidez do sistema bancário brasileiro.
"Eu confio muito na solidez do sistema financeiro brasileiro. Claro que essa possibilidade existe, mas a gente tem que ter muita parcimônia, principalmente ao olhar o risco dos ativos e das instituições que a gente vai investir. E o Banco Central está sempre em cima, sempre analisando essas possibilidades."
Ele reforçou ainda que o FGC possui capacidade financeira suficiente para honrar os compromissos.
"O FGC tem hoje um patrimônio líquido, ou seja, um patrimônio disponível a pagar dos credores de 120 bilhões, então um pouco mais que isso, se a gente corrigir para o ano de 2026."
Para Wesley, apesar do impacto da liquidação, o episódio não representa risco sistêmico.
"Estamos longe de uma quebra realmente do mercado financeiro."
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