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Vírus Usutu: entenda sintomas, transmissão e riscos para a saúde humana

Transmitido por mosquitos, o vírus Usutu pode provocar desde febre leve até complicações neurológicas em casos raros.

Pollyana Leite

22 de novembro de 2025 às 23:38   - Atualizado às 23:40

Mosquito do gênero Culex, vetor responsável pela transmissão do vírus Usutu.

Mosquito do gênero Culex, vetor responsável pela transmissão do vírus Usutu. Foto: Freepik

O vírus Usutu é um arbovírus transmitido por mosquitos e começa a chamar atenção no cenário de saúde pública por sua presença em diversas regiões, especialmente na Europa e na África. Ele pertence ao mesmo grupo do vírus do Nilo Ocidental e pode infectar humanos, embora a maioria das pessoas não apresente sintomas.

Segundo o Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), o Usutu se espalha principalmente através da picada de mosquitos infectados. Esses mosquitos pertencem sobretudo ao gênero Culex. Em seu ciclo natural, o vírus circula entre aves silvestres, que servem como reservatório. Humanos são considerados “hospedeiros acidentais”: infectados por acaso, mas sem papel relevante na propagação do vírus. 

Em relação aos sintomas, a infecção por Usutu costuma ser silenciosa na maior parte dos casos. De acordo com a CDC, muitas pessoas infectadas não percebem nenhum sinal da doença. Quando aparecem sintomas, eles podem incluir febre, erupção cutânea (rash) e até icterícia (amarelamento dos olhos).

Em algumas situações mais graves, a doença pode evoluir para quadros neurológicos. Pacientes podem apresentar confusão, fraqueza, tremores ou, em casos raros, meningite (inflamação das membranas que envolvem o cérebro e a medula espinhal) ou encefalite (inflamação do cérebro).  Um estudo relatou, por exemplo, uma pessoa na França com paralisia facial associada ao Usutu.

O diagnóstico exige exames laboratoriais específicos. Segundo a CDC, profissionais de saúde podem pedir testes se houver suspeita de infecção, especialmente quando o paciente esteve em regiões onde o vírus circula, como partes da Europa e da África. Não há testes comerciais amplamente disponíveis em muitos países, então o diagnóstico pode depender de laboratórios especializados. 

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Quanto ao tratamento, não existe um remédio específico para o vírus Usutu. De acordo com a CDC, a abordagem é de suporte: repouso, ingestão de líquidos, uso de analgésicos para aliviar dores e febre. Em casos graves, por exemplo de encefalite, pode haver necessidade de internação para cuidados mais intensos, como controle de convulsões ou pressão no crânio.

A prevenção, por sua vez, passa pelo controle de mosquitos e proteção individual. A CDC recomenda medidas simples, mas eficazes: usar repelente, vestir roupas de mangas compridas e calças, tratar roupas ou equipamentos com permetrina, e optar por locais com tela nas janelas ou uso de mosquiteiro se estiver dormindo ao ar livre. Essas ações ajudam a reduzir a exposição à picada de mosquitos a principal forma de transmissão.

Embora o vírus Usutu tenha sido identificado pela primeira vez em 1959 na África, ele se espalhou para a Europa nas décadas seguintes. Na Alemanha, por exemplo, o vírus já provocou mortes de pássaros silvestres, especialmente melros-pretos. Já em humanos, os casos parecem mais raros, mas têm acontecido.

Outro ponto de atenção é a identificação do vírus em bancos de sangue. Recentemente, um estudo na Espanha confirmou que o primeiro caso humano autóctone em Mallorca foi detectado por meio de testes de triagem de doadores de sangue.

Pessoas com o sistema imunológico mais fraco, por exemplo, com doenças crônicas ou em tratamentos que diminuem a imunidade enfrentam um risco maior de desenvolver formas mais graves da doença.

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