O miniapp permite que qualquer cidadão faça uma avaliação do próprio padrão de consumo desse tipo de bebida e receba orientações personalizadas para reduzir riscos.
11 de agosto de 2026 às 09:33 - Atualizado às 10:11
Copos de cerveja em um balcão. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasi
O Ministério da Saúde disponibiliza, por meio do Meu SUS Digital , o Modera Brasil, uma ferramenta voltada à prevenção do consumo exagerado e problemas relacionados ao consumo de bebidas alcoólicas.
O miniapp permite que qualquer cidadão faça uma avaliação do próprio padrão de consumo de álcool e receba orientações personalizadas para reduzir riscos, promover o autocuidado e atendimento no Sistema Único de Saúde (SUS) .
Com o objetivo de incentivar a identificação precoce de comportamentos que podem trazer prejuízos à saúde e ampliar o acesso da população a informações confiáveis, a ferramenta utiliza instrumentos internacionalmente validados para realizar uma triagem digital e, com base nas respostas do usuário, apresenta recomendações educativas e indica, quando necessário, a procura por serviços da rede pública de saúde.
O aplicativo Modera Brasil foi desenvolvido pela Universidade São Paulo (USP) em parceria com o Ministério da Saúde. A ferramenta já é utilizada pelo município de São Paulo e, para a sua integração ao Meu SUS Digital, foram feitas adaptações aos padrões de segurança, acessibilidade e alinhamento às diretrizes do Governo Federal para serviços digitais. A solução originalmente foi criada pela USP com o apoio da Auíri e CRBS/SA.
Dados do Ministério da Saúde apontam que, atualmente, 20,4% da população adulta – com mais de 18 anos – consome pelo menos seis doses de álcool na mesma ocasião, o que é considerado consumo excessivo. O estudo da Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel 2025) aponta que, em quase duas décadas, houve um crescimento do consumo por parte da população – em 2006, esse índice era de 15,6%.
Apesar de nos últimos anos, não apresentar variação significativa no padrão do consumo excessivo no público geral, chama a atenção o aumento do consumo entre adultos de 35 a 44 anos, variando de 17,4% a 26,3% no período e entre mulheres, que partiu de 7,8% no início da série para os atuais 15,7%.
Na Atenção Primária à Saúde do Sistema Único de Saúde (SUS), os atendimentos por problemas e condições relacionadas ao uso do álcool aumentaram mais de 157% na última década, passando de 326,2 mil em 2016 para 840 mil em 2025.
Ela explica que algumas pessoas passam a semana inteira sem beber e podem consumir quantidades mais elevadas no fim de semana, o que pode ser um fator de risco. “Situações como essas podem ser avaliadas na ferramenta”, completou.
No Meu SUS Digital, basta procurar o Modera Brasil na área de aplicações. Ao acessar a ferramenta, o usuário irá responder ao questionário Alcohol Use Disorders Identification Test (Audit), aprovado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) para rastrear usuários quanto ao consumo de álcool de risco problemático.
Ele identifica padrões de consumo nocivo por meio de 3 a 10 perguntas simples que geram uma pontuação na qual o usuário é classificado em zonas de risco – Baixo, Moderado e Uso Problemático - e para cada uma delas é estabelecido uma jornada na plataforma.
Além da avaliação inicial, o miniapp reúne ferramentas interativas, exercícios que podem ser praticados e conteúdos informativos sobre os impactos do consumo de álcool na saúde e oferece estratégias digitais de prevenção e direcionamentos para atendimento na Rede de Atenção à Saúde, fortalecendo a integração entre as estratégias digitais de promoção da saúde e os serviços presenciais oferecidos pelo SUS.
Para quem enfrenta problemas relacionados ao consumo de álcool, a Unidade Básica de Saúde (UBS) é a principal porta de entrada para o cuidado no SUS, onde, além do acolhimento e escuta qualificada, sem julgamentos, podem ser identificados o nível de risco e a necessidade de tratamento.
As equipes de saúde também oferecem orientações para reduzir ou interromper o consumo de bebidas alcoólicas, realizam o acompanhamento de problemas de saúde associados ao uso do álcool e, quando necessário, encaminham para atendimento especializado nos Centros de Atenção Psicossocial Álcool e Drogas (CAPS AD), responsáveis pelo tratamento mais intensivo e continuado.
O consumo de álcool é o principal fator de risco para Doenças Crônicas Não Transmissíveis (DNCT). Além dos impactos já conhecidos, como dependência e doenças do fígado, o consumo problemático de álcool aumenta o risco de desenvolvimento de câncer de mama, doenças cardiovasculares, transtornos mentais e diversos outros.
Na autoavaliação, o cidadão identifica sua zona de risco e recebe as orientações necessárias.
Via Ministério da Saúde
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