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Uso prolongado de melatonina pode estar ligado ao risco de insuficiência cardíaca

Estudo sugere que tomar melatonina por 12 meses ou mais está associado a maior probabilidade de hospitalização e morte por falência cardíaca.

Pollyana Leite

04 de novembro de 2025 às 14:10   - Atualizado às 14:14

Melatonina.

Melatonina. Foto: Freepik

Um estudo recente levantou alertas sobre o uso contínuo de Melatonina, muito popular como auxílio ao sono, e sua possível associação com problemas cardíacos graves. A pesquisa observou pessoas com insônia que utilizaram a melatonina por 12meses ou mais e comparouas com indivíduos que não registravam esse uso. 

Os resultados sugerem que o grupo que fez uso prolongado da melatonina apresentou uma probabilidade cerca de 90% maior de desenvolver insuficiência cardíaca ao longo de cinco anos (4,6% versus 2,7%) quando comparado ao grupo sem uso registrado.  Além disso, a probabilidade de hospitalização por insuficiência cardíaca foi quase 3,5 vezes maior no grupo que tomava a melatonina. A taxa de mortalidade por todas as causas também foi maior: 7,8% no grupo com melatonina contra 4,3% no grupo sem. 

A análise foi realizada a partir de bancos de registros eletrônicos de saúde com pacientes que tinham diagnóstico de insônia crônica. Os pesquisadores compararam pessoas que tinham pelo menos dois registros de prescrição de melatonina com outras que não tinham registros de uso formal. 

Apesar dos resultados chamarem atenção, os próprios autores e especialistas rapidamente apontam limitações que impedem afirmar de forma definitiva que a melatonina causa a insuficiência cardíaca. Por exemplo:

Especialistas em sono e cardiologia dizem que a melatonina é considerada segura para uso de curto prazo, mas alertam que os dados sobre efeitos a longo prazo ainda são escassos.  Um comentário importante vem de que o uso prolongado de qualquer suplemento mesmo “natural”  deve ser monitorado, porque “seguro” não significa “sem riscos”. 

Para quem faz uso frequente de melatonina ou pensa em usar por períodos prolongados, esse estudo levanta algumas reflexões práticas:

  • Verificar se a insônia está sendo devidamente avaliada e tratada, já que o sono próprio e saudável é parte essencial da saúde cardiovascular.

  • Consultar um médico, especialmente se houver histórico de doenças cardíacas, hipertensão ou outros fatores de risco cardiovascular.

  • Reconsiderar o uso contínuo da melatonina como “remédio fixo” sem reavaliação periódica: o ideal é usar apenas enquanto houver finalidade clara (como ajuste de fuso horário ou episódios breves) e com acompanhamento.

  • Ficar atento à dose, ao tempo de uso e à origem do suplemento, já que a qualidade pode variar  o que torna ainda mais relevante o diálogo com profissional de saúde.

  •  O estudo não comprova causa e efeito, mas aponta para a necessidade de atenção ao uso habitual desse suplemento.

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