Nova campanha estadual aposta no diálogo familiar para ampliar as doações e enfrentar dúvidas que ainda dificultam o processo.
31 de agosto de 2026 às 10:27 - Atualizado às 11:31
Pernambuco tem 3.966 pessoas aguardando por transplantes de órgãos, tecidos ou medula óssea. Foto: Divulgação
Pernambuco inicia o Setembro Verde de 2026 com 3.966 pessoas na lista de espera por um transplante. A campanha deste ano tem como tema “Pare, pense e doe” e busca incentivar a população a conversar com a família sobre a doação de órgãos e tecidos.
O diálogo é considerado fundamental porque, no Brasil, o procedimento após a morte depende obrigatoriamente da autorização familiar. Mesmo que uma pessoa tenha manifestado o desejo de ser doadora, a retirada não acontece sem a concordância dos parentes.
Os números são do Sistema Nacional de Transplantes e da Central de Transplantes de Pernambuco. A maior fila do Estado é formada por pacientes que precisam de um rim.
Das 3.966 pessoas que aguardam por um transplante no Estado, 2.031 esperam por um rim. Outras 1.727 necessitam de córnea.
Confira a distribuição:
Por incluir transplantes de órgãos, tecidos e medula óssea, o número total deve ser apresentado como fila de transplantes, e não somente como espera por órgãos.
Pernambuco realizou 1.213 transplantes entre janeiro e julho de 2026. No mesmo período de 2025, foram registrados 1.126 procedimentos, o que representa crescimento de 7,7%.
O avanço mais expressivo ocorreu nos transplantes de córnea. O total passou de 542 procedimentos nos sete primeiros meses de 2025 para 643 no mesmo intervalo deste ano, uma alta de 18,6%.
Apesar do crescimento, a quantidade de pacientes na fila demonstra a necessidade de ampliar a conscientização e reduzir a recusa familiar.
A doação após a morte pode ocorrer diante de um diagnóstico confirmado de morte encefálica. Somente depois da conclusão do protocolo médico uma equipe especializada conversa com a família, explica o procedimento e solicita a autorização.
Após a concordância, a Central de Transplantes verifica os pacientes compatíveis e organiza a captação, o transporte e a distribuição. São considerados critérios como gravidade, compatibilidade, tempo de espera e distância entre doador e receptor.
Não é obrigatório registrar a intenção de doar em documentos ou cartórios. De acordo com o Ministério da Saúde, a principal orientação é comunicar essa vontade aos familiares.
O Setembro Verde antecede o Dia Nacional da Doação de Órgãos e Tecidos, celebrado em 27 de setembro.
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