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Relatório da MHRA liga óbitos a injeções emagrecedoras e acende alerta global

Novo relatório detalha complicações graves em pacientes e motiva mudanças rigorosas na fiscalização de fármacos como Mounjaro e Ozempic.

Fernanda Diniz

04 de fevereiro de 2026 às 18:35   - Atualizado às 18:47

Remédio Mounjaro para emagrecimento.

Remédio Mounjaro para emagrecimento. Foto: Reprodução

A segurança dos medicamentos agonistas do GLP-1, como o Mounjaro (tirzepatida) e o Ozempic (semaglutida), voltou a ser centro de um debate global após a divulgação de dados alarmantes pela MHRA, a agência reguladora do Reino Unido.

O relatório oficial aponta que, entre 2007 e outubro de 2025, foram registradas 1.296 notificações de pancreatite aguda, incluindo 19 óbitos e 24 episódios de pancreatite necrosante — a forma mais agressiva e letal da inflamação.

O cenário tornou-se mais crítico em 2025, ano em que 1,6 milhão de adultos britânicos utilizaram essas canetas injetáveis, principalmente para a perda de peso.

Somente no último ano, foram 973 notificações de pancreatite, com o Mounjaro liderando as queixas (807 casos), seguido pela semaglutida (166 casos).

Apesar de a condição ser classificada como "incomum" nas bulas, o volume de 25 milhões de unidades distribuídas nos últimos cinco anos acendeu o alerta máximo das autoridades.

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O perigo da pancreatite aguda e os sinais de alerta

A pancreatite aguda é uma inflamação súbita no pâncreas, órgão essencial para a digestão e o controle dos níveis de açúcar no sangue.

A diretora de segurança da MHRA, Alison Cave, enfatizou que a interrupção do tratamento deve ser imediata ao menor sinal da doença. Os sintomas que exigem atendimento emergencial incluem:

  • Dor abdominal forte que irradia para as costas;

  • Vômitos intensos e náuseas persistentes;

  • Febre e mal-estar geral.

  • Para tentar entender por que alguns pacientes desenvolvem essas reações severas, a agência britânica iniciou uma pesquisa genética em parceria com a Genomics England.

    O objetivo é mapear se existem predisposições no DNA que tornam certas pessoas mais vulneráveis aos efeitos colaterais dos agonistas de GLP-1, permitindo um tratamento mais personalizado e seguro no futuro.

    Reação no Brasil: Anvisa endurece fiscalização

    No Brasil, a Anvisa antecipou-se ao aumento de reações adversas e implementou, desde 2025, a RDC nº 973. A norma mudou drasticamente a forma como medicamentos como Mounjaro, Wegovy e Ozempic são comercializados no país.

    Agora, a compra exige receita em duas vias com retenção na farmácia e notificação obrigatória no SNGPC, com validade restrita a 90 dias.

    O diretor da Anvisa, Rômison Mota, destacou que o objetivo é frear o uso estritamente estético e indiscriminado, garantindo que as substâncias sejam restritas a pacientes com diabetes tipo 2 ou obesidade grave sob supervisão direta.

    Além disso, a agência brasileira baniu a manipulação de semaglutida e mantém vigilância rigorosa sobre a tirzepatida, reforçando que os riscos à saúde disparam quando não há acompanhamento médico.

    Orientações para o uso consciente

    Embora essas terapias tenham revolucionado o tratamento de doenças metabólicas, a responsabilidade coletiva é essencial para equilibrar benefícios e riscos.

    Pacientes em uso de Mounjaro ou similares devem monitorar qualquer dor abdominal persistente e jamais retomar as aplicações sem o aval de um profissional de saúde.

    No Brasil, qualquer efeito colateral deve ser reportado ao sistema Notivisa.

    Especialistas e fabricantes, como Eli Lilly e Novo Nordisk, reforçam que a obediência às bulas e aos alertas regulatórios é o melhor escudo para o paciente.

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