Bisfenol A (BPA). Foto: Freepik
As embalagens plásticas fazem parte da rotina de quase todas as pessoas. Elas embalam alimentos, produtos de limpeza, cosméticos e remédios. A praticidade e o baixo custo transformaram o plástico em um material indispensável, mas também em uma das maiores fontes de poluição e preocupação ambiental. Pesquisadores e órgãos de saúde alertam que o uso indiscriminado desse tipo de embalagem pode gerar riscos tanto para o meio ambiente quanto para a saúde humana.
O plástico tem origem no petróleo e passa por processos químicos até se transformar em diferentes tipos de polímeros. Esses materiais podem liberar substâncias que, em determinadas condições, migram para o conteúdo da embalagem. Em alimentos e bebidas, o calor e o tempo de armazenamento podem favorecer essa liberação. Entre os compostos que despertam maior atenção estão o bisfenol A (BPA) e os ftalatos, usados para dar resistência e flexibilidade ao material.
Estudos científicos indicam que o BPA pode agir de forma semelhante aos hormônios naturais do corpo humano. Essa interferência pode afetar o sistema endócrino, responsável por regular funções como crescimento, metabolismo e reprodução. Por esse motivo, muitos países restringiram o uso de BPA em mamadeiras e embalagens de alimentos infantis. No Brasil, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) proíbe o uso dessa substância em produtos destinados a bebês desde 2011.
Além dos efeitos sobre a saúde, o descarte inadequado de embalagens plásticas provoca sérios danos ambientais. O plástico pode levar séculos para se decompor e, enquanto isso, se fragmenta em pequenas partículas conhecidas como microplásticos. Essas partículas já foram encontradas em rios, mares, solos e até no ar. Pesquisas apontam que animais marinhos ingerem microplásticos com frequência, confundindo-os com alimento. Esse material pode subir na cadeia alimentar e chegar ao prato humano.
O impacto ambiental também se manifesta no ciclo de produção. A fabricação de plásticos consome grandes quantidades de energia e emite gases que contribuem para o aquecimento global. Mesmo quando há reciclagem, apenas uma parte do material pode ser reaproveitada. Dados do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente mostram que menos de 10% de todo o plástico produzido no mundo é reciclado. O restante segue para aterros, rios ou oceanos.
Em muitos municípios brasileiros, a coleta seletiva ainda é limitada. Essa realidade dificulta a destinação correta das embalagens e aumenta o volume de resíduos nas cidades. Iniciativas de redução e reaproveitamento de embalagens vêm ganhando força, especialmente em empresas que buscam alternativas sustentáveis, como materiais biodegradáveis ou reutilizáveis.
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