Dor intensa no abdômen aparece como sintoma comum da pancreatite aguda. Foto: Freepik
A pancreatite aguda é uma inflamação súbita do pâncreas, órgão responsável por ajudar na digestão dos alimentos e na regulação de partes importantes do metabolismo, como o açúcar no sangue. Essa condição pode surgir de um momento para o outro e costuma levar quem a tem a procurar atendimento médico rapidamente por causa da dor forte no abdômen superior.
No Brasil, essa doença representa uma causa significativa de internação hospitalar e tem impacto relevante na rotina dos serviços de saúde. Estudos recentes apontam que milhares de pessoas são internadas todos os anos por pancreatite aguda no Sistema Único de Saúde (SUS), com concentração maior de casos em regiões como Sudeste e Sul do país. Dados epidemiológicos mostram que entre 2019 e 2024 foram registrados mais de 200 mil internamentos por essa condição, mostrando que a pancreatite aguda está entre os problemas gastrointestinais que mais mobilizam hospitais brasileiros.
Os números de óbitos também chamam atenção. Análises baseadas em dados oficiais do SUS indicam que quase 20 mil brasileiros morreram com pancreatite aguda entre 2012 e 2023, sendo esse número maior entre homens com idade entre 60 e 69 anos e concentrado especialmente na região Sudeste.
O sintoma mais característico e que costuma levar as pessoas a buscar atendimento urgente é a dor abdominal intensa. Essa dor geralmente começa na parte superior da barriga e pode irradiar para as costas. Muitas pessoas relatam que a dor parece “em faixa” ou que atravessa o corpo do abdômen para trás. Além da dor, náuseas, vômitos e mal-estar geral são frequentes. Em alguns casos, pode haver febre e batimentos cardíacos acelerados.
A dor costuma ser tão intensa que caminhar, tossir ou respirar fundo pode piorá-la. A situação costuma se agravar pouco depois de uma refeição, especialmente se a alimentação foi rica em gorduras ou álcool.
As causas da pancreatite aguda variam, mas duas delas aparecem com mais frequência nos casos registrados em hospitais. A primeira é a presença de cálculos biliares, pequenas “pedras” que se formam na vesícula e podem migrar até obstruir os canais que ligam a vesícula e o pâncreas, interrompendo a saída dos sucos digestivos e irritando o órgão. A segunda causa comum é o consumo excessivo de álcool por períodos prolongados, o que pode levar as células do pâncreas a reagirem de forma inflamatória e desencadearem a doença.
Outros fatores também podem desencadear uma pancreatite. Certos medicamentos usados em tratamentos específicos podem irritar o pâncreas. Infecções virais e níveis muito altos de gordura no sangue (triglicerídeos) aparecem entre as causas menos freqüentes, mas documentadas por estudos clínicos.
Embora possa afetar pessoas de todas as idades, a pancreatite aguda tende a ocorrer mais em adultos e tem associação com fatores de estilo de vida, como álcool e hábitos alimentares. Epidemiologistas observam que homens representam ligeira maioria dos casos, e adultos de meia-idade ou mais velhos são frequentemente os mais afetados.
A prevenção da pancreatite aguda está intimamente ligada à mudança de alguns comportamentos. Reduzir o consumo de bebidas alcoólicas e manter uma alimentação equilibrada com baixo teor de gorduras ajuda a diminuir o risco de formação de cálculos biliares e irritação do pâncreas. Evitar o tabagismo também é recomendado, já que fumar está associado a maior risco de problemas pancreáticos.
Pacientes que já tiveram um episódio de pancreatite aguda costumam ser orientados por médicos sobre como gerenciar fatores de risco, como glicemia e níveis de lipídios no sangue. O acompanhamento médico regular pode ajudar a detectar alterações que favoreçam uma nova crise.
No atendimento clínico, o diagnóstico da pancreatite aguda é baseado em exames físicos, relatos de sintomas e exames de sangue que mostram sinais de inflamação e alterações nas enzimas produzidas pelo pâncreas. Exames de imagem, como ultrassonografia ou tomografia, ajudam a confirmar o diagnóstico e identificar o que está causando a inflamação.
O tratamento geralmente começa com a internação hospitalar. Durante o período de cuidado, a pessoa costuma suspender a alimentação oral para dar descanso ao pâncreas, e recebe fluidos e medicamentos para controlar a dor e os sintomas. Identificar e tratar a causa subjacente, como remover cálculos biliares, faz parte do plano de cuidados.
A pancreatite aguda é uma doença desafiadora do ponto de vista clínico e de saúde pública. Seus sintomas intensos e causas variadas exigem atenção médica rápida e uma combinação de ações de prevenção e tratamento.
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