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Além do metanol, agora novo alerta: substância proibida é encontrada em sucos e vinhos no Brasil

Pesquisadores da UFSCar descobriram nitrito de sódio em bebidas como suco de laranja e vinho; composto é potencialmente cancerígeno e proibido por lei.

Joice Gomes

24 de outubro de 2025 às 16:45

Nitrito de sódio, composto proibido e cancerígeno, é detectado em sucos e vinhos no Brasil

Nitrito de sódio, composto proibido e cancerígeno, é detectado em sucos e vinhos no Brasil Imagem gerado por IA

Um alerta recente acendeu a luz vermelha na indústria de bebidas brasileira. Pesquisadores da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) identificaram nitrito de sódio, um aditivo químico proibido, em amostras de sucos, vinhos e até águas minerais. A descoberta foi publicada na revista científica Microchimica Acta e já provoca preocupação entre especialistas em segurança alimentar.

O composto, normalmente permitido apenas para o uso em carnes processadas, como presunto e salsicha, é considerado altamente perigoso quando ingerido em bebidas, podendo formar substâncias conhecidas como nitrosaminas, associadas ao desenvolvimento de câncer no fígado, estômago e esôfago.

Tecnologia de ponta feita com cortiça

Os cientistas da UFSCar desenvolveram um sensor feito à base de cortiça transformada em grafeno, por meio de gravação a laser. Esse dispositivo inovador é capaz de identificar rapidamente a presença do nitrito de sódio em líquidos, de forma sustentável e sem o uso de reagentes tóxicos.

Segundo o coordenador do estudo, professor Bruno Campos Janegitz, o novo método representa um avanço importante: “Buscamos uma forma simples e acessível de garantir a segurança no consumo de líquidos. A presença do nitrito representa um risco real à saúde”, explicou.

Nos testes realizados, o sensor conseguiu identificar o composto em níveis compatíveis com riscos alimentares e ambientais. A tecnologia ainda está em fase de validação, mas promete revolucionar o controle sanitário de alimentos e bebidas.

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Fraudes alimentares e riscos à saúde

O estudo acende um debate sobre fraudes na produção de bebidas industrializadas. O nitrito de sódio, segundo os pesquisadores, pode ser usado de forma ilegal para alterar a cor e aparência de sucos e vinhos, mascarando a oxidação e dando uma falsa impressão de frescor.

Essas práticas irregulares, além de enganarem o consumidor, colocam em risco direto a saúde pública, já que o composto pode reagir no organismo e liberar substâncias cancerígenas.

O que o consumidor deve fazer

Enquanto o sensor brasileiro ainda não está disponível comercialmente, os especialistas recomendam alguns cuidados básicos para o consumidor:

  • Verificar a procedência e o rótulo de sucos e vinhos;
  • Evitar produtos muito baratos ou sem informações claras de fabricação;
  • Desconfiar de bebidas com cor ou sabor alterados;
  • Priorizar marcas conhecidas e certificadas.

Pesquisas seguem em desenvolvimento

O projeto contou com apoio da FAPESP e permanece em avanço para a produção em larga escala. A expectativa é que, em breve, o sensor possa ser usado em fiscalizações sanitárias, controle de qualidade industrial e até testes domésticos, ajudando a prevenir casos de contaminação.

O avanço científico mostra o papel fundamental da pesquisa nacional para proteger a saúde do consumidor e combater fraudes no setor alimentício, especialmente em um momento em que a confiança nas indústrias e rótulos é cada vez mais questionada.

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