Lorsatana. Foto: Reprodução.
A cena se repete diariamente, milhões de brasileiros começam o dia com um comprimido de losartana. O hábito comum revela mais do que a popularidade de um medicamento. Ele mostra como a hipertensão avança no país e como muitos diagnósticos chegam tarde, segundo especialistas que acompanham a rotina dos pacientes.
O cirurgião cardiovascular Ricardo Katayose, da Beneficência Portuguesa de São Paulo, afirma que a procura crescente pelo remédio acompanha a alta prevalência de pressão alta no Brasil.
“O país tem incidência elevada de hipertensão, uma prevalência acima do esperado, reflexo de falhas nos cuidados primários”, avalia.
Dados nacionais apontam que três em cada dez adultos têm pressão alta. O quadro ganhou ainda mais atenção após a Diretriz Brasileira de Hipertensão de 2025 redefinir como pré-hipertensão medidas a partir de 12x8.
A popularidade da losartana se explica por sua ação direta em um dos sistemas responsáveis por regular a pressão arterial: o sistema renina–angiotensina–aldosterona.
Quando esse mecanismo fica hiperativado, situação comum em pessoas hipertensas, os vasos se contraem e o corpo retém mais líquido. A losartana interfere nessa etapa ao bloquear o receptor AT1, impedindo o efeito da angiotensina II.
“É como se tampasse a caixa de correio para que o carteiro não conseguisse entregar a carta”, compara Katayose.
Além de eficaz e segura, a losartana também se destaca por ser acessível, amplamente produzida no país e distribuída gratuitamente no SUS, o que aumenta a adesão.
“Os pacientes aderem melhor ao tratamento com medicações que cabem no bolso”, diz Katayose.
O cardiologista Márcio Sousa, do Instituto Dante Pazzanese, lembra que a losartana não é a única opção de primeira linha. Ele cita três grupos principais usados no tratamento:
Diuréticos, que eliminam sal e água;
Sousa ressalta que versões mais novas dessa última classe têm ação mais prolongada e uso comprovado em dose única diária, algo que facilita a rotina. Mesmo assim, ele reforça que o tratamento é individualizado.
“O que precisamos é reduzir a pressão. Qualquer medicamento dessas classes faz isso”, afirma.
A facilidade de acesso também trouxe um desafio: o uso sem orientação médica.
“Muita gente começa a usar porque a mãe toma, o vizinho recomendou ou a pressão subiu um dia”, comenta Katayose.
O especialista alerta que o remédio pode mascarar causas mais graves de hipertensão, como apneia do sono e estenose de artéria renal.
A diretriz de 2025 reforça que controlar a pressão exige olhar para todo o risco cardiovascular, incluindo sono, alimentação, obesidade e estresse. Mas, segundo Katayose, muitos pacientes só chegam ao sistema quando já apresentam complicações.
Eduardo Lima, professor colaborador da FMUSP e líder de cardiologia da Rede Américas, reforça: “Muitos pacientes só chegam quando o evento cardiovascular já aconteceu. É um gol anunciado.”
Após o episódio dos recalls de 2018, testes recentes do Instituto Nacional de Controle de Qualidade em Saúde (INCQS) mostraram ausência de contaminação nos lotes analisados em 2025. Para Katayose, o risco não está na molécula, mas na qualidade da fabricação.
Mesmo com o remédio, especialistas reforçam que hábitos saudáveis têm impacto direto nos números da pressão. Manter alimentação equilibrada, reduzir sal, controlar peso, dormir melhor e praticar atividade física são medidas com efeito comprovado.
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