Pernambuco, 13 de Fevereiro de 2026

Inicio elemento rádio
Icone Rádio Portal

Ouça a Rádio Portal

Final elemento rádio

Hospital da Unicamp erra diagnóstico e paciente recebe quimioterapia sem ter câncer

O Governo do Estado de São Paulo foi condenado a pagar uma indenização de R$ 50 mil por danos morais.

Redação

10 de outubro de 2025 às 14:06   - Atualizado às 14:22

Hospital da Unicamp.

Hospital da Unicamp. Foto: Divulgação

O Governo do Estado de São Paulo foi condenado, no início de outubro, a pagar uma indenização de R$ 50 mil por danos morais a um paciente que recebeu um diagnóstico errado do Hospital das Clínicas da Universidade de Campinas (Unicamp), no interior de São Paulo. Procuradas, a gestão estadual e a Unicamp não se manifestaram. O espaço segue aberto

No processo, o paciente relata que foi submetido a exames no hospital que o diagnosticaram com Linfoma não Hodgkin (LNH), um tipo de câncer que se inicia nos linfócitos, que são células do sistema imunológico responsáveis por defender o corpo contra infecções. Em 2020, o ele passou por tratamento com quimioterapia. No entanto, novos exames constataram que o diagnóstico estava errado e que ele nunca teve câncer.

Um laudo elaborado pelo Instituto de Medicina Social e de Criminologia de São Paulo (Imesc) e anexado ao processo apontou que o primeiro diagnóstico foi obtido por meio de uma biópsia da lesão óssea, mas, após a revisão das lâminas, o resultado do exame foi alterado para "inconclusivo para o diagnóstico de linfoma não Hodgkin, sendo considerado infiltração linfocitária atípica por provável doença autoimune".

"O periciando não foi tratado de acordo com a prática medica usual por diagnóstico equivocado do serviço de anatomia patológica, o qual consta que não teria informação prévia de que o periciando era portador de doença auto imune, sendo que foi feito diagnóstico equivocado de linfoma não Hodgkin baixo grau de malignidade, imunofenotipagem B", diz a conclusão do laudo do Imesc.

O advogado Caique Mazzer, que representa o paciente, alegou no processo que ele sofreu graves efeitos colaterais, como fortes dores, náuseas e neutropenia febril. Ele argumentou que a submissão a um tratamento agressivo e desnecessário, baseada em um diagnóstico equivocado, configura falha na prestação do serviço público de saúde e pediu R$ 250 mil em indenização por danos morais.

Veja Também

O processo é contra a Fazenda Pública do Estado de São Paulo, que defendeu, inicialmente, que a responsabilidade era da Unicamp, já que se trata de uma autarquia autônoma. O governo estadual chegou a afirmar que documentos enviados pela Unicamp demonstraram que "foi dado amplo e irrestrito tratamento ao autor, se valendo das técnicas reconhecidas na literatura médica, não havendo erro a ser imputado ao corpo clínico".

No entanto, o juiz Francisco José Blanco Magdalena, da 2ª Vara da Fazenda Pública, defendeu a responsabilidade do Estado de São Paulo, uma vez que deve garantir a adequada prestação dos serviços de saúde à população, "ainda que por meio de suas autarquias".

"A submissão a um tratamento de quimioterapia sem a devida necessidade constitui grave falha na prestação do serviço de saúde, ensejando o dever de indenizar", escreveu o magistrado

Na decisão, Magdalena considerou que apesar da gravidade do erro, da agressividade do tratamento indevido e do abalo psicológico do paciente, os efeitos colaterais não deixaram sequelas permanentes, e definiu em R$ 50 mil a indenização por danos morais.

"É inegável o profundo abalo psicológico e o sofrimento físico impostos a um indivíduo que recebe um diagnóstico de câncer e é submetido a um tratamento agressivo como a quimioterapia, para depois descobrir que tudo foi um equívoco", disse. "O autor foi exposto não apenas aos severos efeitos colaterais do tratamento, como náuseas, dores e a perigosa neutropenia febril, mas também à angústia, ao medo e à incerteza inerentes ao diagnóstico de uma doença tão grave."

Estadão Conteúdo

Mais Conteúdos

Mais Conteúdos

Mais Lidas

Icone Localização

Recife

06:52, 13 Fev

Imagem Clima

25

°c

Fonte: OpenWeather

Notícias Relacionadas

Jovem de 16 anos perde ação judicial.
Decisão

Jovem de 16 anos que afirma ser virgem perde ação na Justiça após exame indicar gravidez

Tribunal entende que laboratório não teve responsabilidade pelo procedimento médico realizado após resultado positivo no teste de gravidez.

Virus Nipah
Saúde

Vírus Nipah preocupa no Brasil? Entenda se há risco real às vésperas do carnaval

O tema ganhou atenção especial entre os brasileiros, e as buscas pela doença no Google dispararam.

Secretário municipal na esquerda, os dois filhos abaixo, companheira acima, filha do prefeito de Itumbiara, que está ao lado.
Tristeza

Prefeito tem infarto após saber que genro, secretário municipal, se matou depois de assassinar netos

De acordo com informações preliminares, o gestor do município foi socorrido às pressas e encaminhado para um hospital e tem estado de saúde considerado grave.

mais notícias

+

Newsletter