Vírus do HIV. Foto: Criada por Inteligência Artificial
Pesquisadores do Houston Methodist Research Institute, nos Estados Unidos, desenvolveram uma estratégia experimental que usa o próprio poder destrutivo do HIV contra ele mesmo, eliminando as células que abrigam o vírus escondido no organismo. A técnica, que ainda está em fase pré-clínica, mostrou potencial para atacar os chamados reservatórios virais, locais onde o HIV permanece latente, mesmo durante o tratamento com antirretrovirais, e pode representar um novo avanço nas estratégias de cura.
O estudo, liderado pela pesquisadora Min Li e publicado no The Journal of Infectious Diseases, propõe uma variação do método conhecido como “choque e eliminação” (shock and kill). A ideia é simples em teoria, mas complexa na prática: reativar o HIV adormecido dentro das células e, ao mesmo tempo, tornar essas células mais suscetíveis à morte programada, um processo natural chamado apoptose.
Mesmo com a terapia antirretroviral (TARV) mantendo a carga viral indetectável, parte do vírus continua “dormindo” em diferentes partes do corpo, conhecidas como reservatórios. Esses reservatórios são uma das principais barreiras para a cura, pois, quando o tratamento é interrompido, o vírus pode voltar a se multiplicar rapidamente, fenômeno chamado de rebote viral.
O HIV consegue se manter oculto usando suas próprias proteínas para colocar as células em um estado de “sono profundo”, tornando-as mais resistentes à apoptose. Esse mecanismo permite que o vírus se preserve por décadas. Além disso, o HIV ativa outro processo celular, a autofagia, que funciona como um sistema interno de reciclagem: as células danificadas se reparam e continuam vivas, mesmo infectadas.
O grupo de pesquisadores texanos decidiu interferir justamente nesses dois processos. Eles bloquearam a autofagia e também os caminhos moleculares que evitam a apoptose, tornando as células infectadas mais vulneráveis à morte. Assim, quando o HIV latente é reativado, o próprio dano causado pelas proteínas virais passa a ser o gatilho para a destruição da célula, e, com ela, do vírus.
Em teoria, isso significaria eliminar de forma seletiva apenas as células que contêm vírus intactos e capazes de se replicar, sem afetar aquelas que carregam vírus defeituosos, que representam cerca de 97% do material viral remanescente e não são capazes de reiniciar a infecção.
Os testes foram realizados em camundongos humanizados, animais com sistema imunológico adaptado para se assemelhar ao humano, e também em células de sangue de pessoas vivendo com HIV cultivadas em laboratório.
No experimento, foram usados quatro compostos diferentes, cada um responsável por uma etapa do processo “choque e eliminação”:
Durante a fase experimental, os animais e as células humanas foram tratados com antirretrovirais (raltegravir e fostemsavir), para impedir novas infecções enquanto o vírus era reativado. Após o período de tratamento, todos os medicamentos foram suspensos.
Os resultados surpreenderam. Após oito semanas sem tratamento, 69% dos camundongos que receberam o coquetel experimental não apresentaram rebote viral, enquanto todos os animais que receberam apenas a TARV tiveram retorno da infecção.
Nos camundongos que não tiveram rebote, nenhum vírus intacto foi detectado nas células do baço e do cérebro, dois locais conhecidos como reservatórios. Já os animais que voltaram a apresentar vírus tinham sequências virais intactas detectáveis, confirmando que a terapia atingiu seu alvo.
Os testes em células humanas também mostraram resultados semelhantes: nas amostras tratadas com o coquetel, não havia HIV ativo detectável, enquanto nas amostras controle o vírus permaneceu presente. O tratamento eliminou apenas as células com vírus intactos, deixando os vírus defeituosos, inofensivos, mas ainda detectáveis, intactos.
Estudos anteriores já mostraram que menos de 3% do HIV que permanece no corpo após o início da TARV é realmente viável e capaz de se replicar. O restante é composto por vírus defeituosos, que não conseguem infectar novas células.
Por isso, eliminar apenas essa pequena parcela viável é o foco das estratégias de cura. Se o tratamento atacasse também os vírus defeituosos, poderia ocorrer morte celular em larga escala, desencadeando uma resposta inflamatória perigosa e até reações graves do sistema imunológico.
Contudo, os cientistas alertam que a presença residual desses vírus defeituosos pode manter o corpo em um estado de inflamação crônica, mesmo após uma possível cura funcional.
Embora promissora, a técnica ainda está em estágio pré-clínico e precisa de muitos testes antes de ser considerada segura para humanos. Os modelos de camundongos humanizados não reproduzem com total precisão o comportamento do sistema imunológico humano, e as substâncias que estimulam apoptose podem causar efeitos colaterais graves, já que esse processo é essencial para a manutenção saudável dos tecidos.
Mesmo assim, os resultados representam um avanço conceitual importante.
“O estudo amplia o horizonte das estratégias de cura, oferecendo uma abordagem elegante e seletiva que transforma o próprio vírus em seu inimigo”, destacam os autores.
Em outras palavras, a técnica cria um ciclo autodestrutivo: se o vírus tenta se reativar, ele causa sua própria morte; se permanece inativo, fica inofensivo.
Da redação do Portal com informações da Agência de Notícias da Aids.
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