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Dengue, chikungunya, zika e mais de 20 vírus são furtados da Unicamp; professora é presa pela PF

A professora e pesquisadora argentina é investigada por produzir, armazenar, transportar, comercializar, importar ou exportar Organismos Geneticamente Modificados.

Gabriel Alves

30 de março de 2026 às 10:06   - Atualizado às 10:06

Professora e pesquisadora presa suspeita de furtar as amostras e laboratório onde vírus foram furtados.

Professora e pesquisadora presa suspeita de furtar as amostras e laboratório onde vírus foram furtados. Fotos: Reprodução e Estevão Mamédio/g1. Arte: Portal de Prefeitura

Ao menos 24 cepas diferentes de vírus foram transportadas entre diferentes unidades após serem furtadas, possivelmente no começo do mês passado, de um laboratório da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), segundo informações divulgadas no domingo, 29 de março, pelo Fantástico, da TV Globo.

São cepas ligadas aos vírus da dengue, chikungunya, zika, herpes, Epstein-Barr, coronavírus humano e outros menos conhecidos, além de 13 tipos de vírus que infectam animais, segundo a emissora.

Como mostrou o Estadão, a professora e pesquisadora argentina Soledad Palameta Miller, hoje com atuação na Unicamp, foi presa pela Polícia Federal na segunda-feira passada, 23, sob suspeita de furtar material biológico do Laboratório de Virologia e Biotecnologia Aplicada do Instituto de Biologia da Unicamp.

Um dia depois, a Justiça Federal concedeu liberdade provisória à professora, mas determinou medidas cautelares, que incluem a proibição de acessar laboratórios relacionados à investigação e de deixar o País sem autorização judicial.

Soledad é investigada por produzir, armazenar, transportar, comercializar, importar ou exportar Organismos Geneticamente Modificados (OGMs) ou seus derivados sem autorização ou em desacordo com normas estabelecidas pela Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) e pelos órgãos e entidades de fiscalização.

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Na semana passada, a defesa de Soledad afirmou ao Estadão que, em virtude do sigilo decretado pela 9.ª Vara Federal de Campinas, não iria se pronunciar.

"Prezando pela segurança jurídica e pelo sigilo dos atos processuais, limitaremos nossas manifestações ao âmbito judicial, em respeito ao devido processo legal", disse.

A Polícia Federal investiga ainda se o marido de Soledad, Michael Edward Miller, também está envolvido no furto de material biológico armazenado no laboratório da Unicamp. O Estadão tenta localizar a defesa de Edward Miller.

Sumiço foi constatado no mês passado

Conforme termo de audiência da Justiça federal, ao qual o Estadão teve acesso, o desaparecimento de caixas contendo amostras virais armazenadas em área classificada como NB-3 (marcada pela alta contenção biológica e submetido a rigorosos protocolos de biossegurança) foi constatado na manhã do dia 13 de fevereiro.

Ainda segundo o documento, a partir da falta do material, foi possível delimitar a janela temporal do possível furto, "sugerindo que o evento tenha ocorrido em período curto e de forma concentrada". A Polícia Federal e a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) foram prontamente acionadas pela Unicamp.

Conforme a PF, foram cumpridos dois mandados de busca e apreensão, expedidos pela 9.ª Vara Federal de Campinas, na segunda-feira na cidade.

"O material subtraído foi localizado e encaminhado ao Ministério da Agricultura e Pecuária para análise", disse, em nota.

De acordo com o documento da Justiça federal, eles foram encontrados em "laboratórios diversos".

"Foi apurado que tais materiais estavam armazenados em freezers e também parcialmente descartados em lixeiras, inclusive após manipulação", aponta.

As investigações apontam que havia indicativos de que Soledad acessou "diferentes laboratórios, inclusive com auxílio de terceiros, apesar de não possuir acesso próprio, e realizou movimentação dos materiais". O possível grau de envolvimento dessas pessoas não foi especificado.

A PF indicou ainda que a professora manipulou amostras biológicas (OGM ou derivados) em ambiente diverso do originalmente autorizado, com deslocamento entre laboratórios e armazenamento irregular, em desacordo com as normas técnicas e institucionais de controle.

"A manipulação, armazenamento e descarte indevido de material biológico potencialmente sensível, inclusive em ambientes não controlados e com descarte em lixeiras, configura exposição da saúde de terceiros a perigo direto e iminente, diante do risco inerente ao manuseio de amostras virais fora de protocolos de biossegurança", afirma o termo de audiência.

Conforme a Polícia Federal, os investigados irão responder, na medida de suas responsabilidades, pelos seguintes crimes: furto qualificado, fraude processual e transporte irregular de organismo geneticamente modificado. As investigações prosseguem para esclarecer as circunstâncias e possíveis motivações do caso

Em nota, a reitoria da Unicamp afirmou que colabora com as investigações da PF na condução do inquérito que resultou na prisão em flagrante da professora.

A Unicamp disse ainda que instaurou sindicância interna para apurar o caso.

"A universidade mantém-se à disposição das autoridades competentes para auxiliá-las no esclarecimento das circunstâncias em que os fatos ocorreram. Os detalhes do caso serão preservados para não comprometer o andamento das investigações", afirma.

Estadão Conteúdo

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