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Fim do HIV? Anvisa aprova uso de medicamento para prevenção da doença no Brasil

A indicação atende adultos e adolescentes a partir de 12 anos, com peso mínimo de 35 quilos, que apresentem risco aumentado de exposição ao vírus.

Redação

13 de janeiro de 2026 às 07:58   - Atualizado às 08:00

Anvisa aprova uso de medicamento para prevenção do HIV.

Anvisa aprova uso de medicamento para prevenção do HIV. Foto: Divulgação

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou, na segunda-feira, 12 de janeiro, uma nova indicação para o medicamento Sunlenca, ampliando o uso do fármaco no combate ao HIV no Brasil.

A partir da decisão, o remédio passa a ser autorizado como profilaxia pré-exposição (PrEP), estratégia voltada à prevenção da infecção pelo HIV-1 por via sexual. A indicação atende adultos e adolescentes a partir de 12 anos, com peso mínimo de 35 quilos, que apresentem risco aumentado de exposição ao vírus.

A aprovação estabelece como regra a realização prévia de um teste para HIV-1, com resultado negativo, antes do início do tratamento. A exigência segue protocolos de segurança adotados internacionalmente e busca garantir o uso adequado do medicamento apenas por pessoas que não vivem com o vírus.

O Sunlenca é um antirretroviral à base de lenacapavir, substância considerada inovadora por atuar de forma diferente dos medicamentos mais tradicionais usados na prevenção e no tratamento do HIV. O fármaco interfere em múltiplas etapas do ciclo do vírus, impedindo que ele se multiplique no organismo. Com essa ação, o HIV não consegue manter processos essenciais para sua replicação, o que reduz de forma significativa o risco de infecção.

O medicamento apresenta duas formas de administração. A principal delas envolve uma injeção subcutânea aplicada a cada seis meses, característica que diferencia o Sunlenca das opções de PrEP atualmente mais conhecidas, baseadas no uso diário de comprimidos. O tratamento também inclui uma formulação oral, utilizada no início do esquema, conforme orientação médica.

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A profilaxia pré-exposição integra as políticas de saúde pública voltadas à prevenção do HIV e já se consolidou como uma das estratégias mais eficazes para reduzir novas infecções. A PrEP se destina a pessoas que não têm o vírus, mas convivem com situações de maior exposição, como relações sexuais sem preservativo ou parcerias com pessoas soropositivas que não estejam em tratamento. O uso correto dos medicamentos diminui de forma expressiva as chances de transmissão.

Essa estratégia faz parte do conceito de prevenção combinada, adotado pelo Brasil e por outros países. O modelo reúne diferentes ações, como testagem regular, uso de preservativos, tratamento antirretroviral para pessoas vivendo com HIV, profilaxia pós-exposição e cuidados específicos durante a gestação. A lógica é oferecer múltiplas ferramentas para que cada pessoa escolha a forma mais adequada de se proteger.

O lenacapavir ganhou destaque internacional em julho de 2025, quando a Organização Mundial da Saúde passou a recomendá-lo como uma opção adicional para PrEP. Na avaliação da entidade, o medicamento representa a alternativa mais promissora desde o desenvolvimento de vacinas, sobretudo por facilitar a adesão ao tratamento com um regime menos frequente.

Os dados analisados pela Anvisa incluem resultados de estudos clínicos que apontaram alta eficácia do Sunlenca na prevenção do HIV-1. Em um dos ensaios, o medicamento apresentou 100% de eficácia na redução da incidência do vírus em mulheres cisgênero. Outro estudo mostrou uma redução de 96% em comparação com a incidência de base e desempenho superior ao da PrEP oral diária, com índice de 89%. Os resultados também indicaram boa adesão ao esquema semestral, fator considerado essencial em estratégias preventivas.

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